Liberdade
Andar a pé Blog

Liberdade

Se andar é ser livre, nem que seja do trânsito, é preciso sair de casa preparada para viver essa liberdade. E não dá pra ser livre carregando uma bolsa de cinco quilos no ombro, tentando se equilibrar em cima de um salto alto, ou ainda com uma calça que faz seu corpo parecer sardinha em lata. Por isso, quem escolhe a caminhada como meio de transporte precisa encontrar conforto pelo caminho.

Ontem, fui a uma pauta andando. Resumidamente, o itinerário foi esse: andei de casa até a terapia (15 minutos), da terapia até o metrô (cinco minutos), do metrô até o restaurante (meia hora), do restaurante até o metrô (dez minutos), do metrô até a pauta (20 minutos), da pauta até o metrô (15 minutos), do metrô até o ônibus (dois minutos), do ônibus até o trabalho (dois minutos ou menos). O dia estava quente e isso já é algo ruim. Nunca vou negar que o calor é maior fonte de preguiça para caminhar. Nestes dias, trocaria qualquer caminhada por um carro com ar condicionado que me deixasse na porta de todos os compromissos.

Mas, além do calor infernal, você ainda tem que se dar conta, ao longo do dia, que poderia ter feito escolhas melhores e mais confortáveis como, por exemplo, não usar calça jeans. Quem opta por caminhar no dia a dia precisa aprender a escolher roupas mais leves e confortáveis. E calça jeans, definitivamente, não está na lista, por mais que seja a única peça que não pode faltar no meu guarda-roupa.

A bolsa, sempre cheia, é outra questão. Então, quando vi na vitrine de uma loja uma bolsa fofa, leve e de um tamanho razoável, comprei. Nunca mais ando carregando a bolsa que mais parece uma mala. Tudo bem que terei de aprender a carregar menos coisas, mas acho que não será tão difícil. Hoje, um dia depois, eu consegui. E não estou sentindo falta de nada que tirei de dentro da bolsa/mala. O problema é que depois da compra, tive que carregar mais uma sacola (com a bolsa nova dentro), já que não tive desprendimento suficiente para jogar a outra bolsa no lixo, ali mesmo,no meio da rua (e eu não faria isso porque a bolsa, embora grande, ainda é perfeitamente usável). O lado bom é que pude colocar, dentro da sacola, o livro que resolvi levar junto comigo nessa empreitada e o caderninho de anotações para a entrevista. O livro era importante para ler no metrô, no ônibus ou enquanto estivesse esperando para ser atendida ou tomando um café, mas poderia ter escolhido uma opção mais fina e leve, e não um calhamaço de 500 páginas. O caderninho era desnecessário, afinal, ainda carrego um moleskine na bolsa para anotações. E a entrevista seria gravada. Então… Mas tinha o guarda-chuva! Este sim, um item indispensável para quem anda a pé! E um bom guarda-chuva nunca é pequeno demais e muito leve. Por mais compacto que seja, ainda ocupa espaço e pesa um pouquinho.

Bem, nada é perfeito nesta vida, não é mesmo? Se quando a pessoa compra um carro precisa escolher entre diversos itens de série, quando opta por andar a pé é preciso entender que se faz necessário uma série de adaptações na rotina. Isso não significa que uma coisa é melhor ou pior do que a outra, mas sim diferente. E, no final, é um bom exercício para aprendermos que podemos viver de outra maneira, talvez até mais simplificada do que antes.

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