O que dá para fazer a pé?
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O que dá para fazer a pé?

No feriado do dia 21 de abril, meu marido foi fazer uma endoscopia. É um exame tranquilo, mas chato, só realizado se o paciente estiver com um acompanhante. No caso, a acompanhante fui eu. O laboratório fica a míseros três quarteirões de casa. Então, fomos a pé. O exame em si demorou menos de 10 minutos. Voltar à consciência depois daquele sossega leão que a pessoa toma levou mais meia-hora. Com meu marido ainda lento e com sono, voltamos para casa andando. Ele falou umas besteiras pelo caminho, mas nada que comprometesse o trajeto. Até ajudou a dar informação para um motorista perdido. À tarde, as pessoas ligavam em casa para saber como ele estava e perguntavam quem o tinha acompanhado ao exame. Quando falávamos que havia sido eu, vinha a pergunta: “Mas como voltaram?”. Tudo isso porque eu não dirijo. Então, como voltar com aquele homem de 1m80, meio grogue, sem ser de carro? Mas voltamos e nada aconteceu. Obviamente, se ele não tivesse condições mínimas de caminhar aqueles quarteirões, teríamos chamado um táxi.

Depois disso, fiquei pensando em quantas coisas podem ser feitas a pé e as pessoas simplesmente não fazem porque imaginam que não é possível. Quando se fala em andar a pé para quem está acostumado a circular somente de carro, a primeira reação é de estranhamento. É como se o ato de caminhar não tivesse a função de nos levar de um lugar para outro. Existe, ainda, a questão do status. Infelizmente, aos olhos da sociedade, só anda a pé quem não tem grana para comprar um carro e, aparentemente, isso não é bom… Ou então, quem leva uma vida totalmente alternativa, fora da curva, também vista com certo estranhamento. Será?

Estou certa que não. Defendo que caminhar como meio de transporte é uma opção. E ela não precisa ser viável em absolutamente todos os momentos da vida. Há circunstâncias em que é necessário, ou simplesmente mais confortável, estar de carro. Porém, culturalmente o carro é visto como um item mais do que necessário, muitas vezes para nos levar a lugares aos quais podemos ir de outras maneiras.

Eu costumo ir ao shopping a pé, ainda que o shopping em questão não tenha entrada para pedestres. Para acessar qualquer uma das entradas é preciso cruzar o estacionamento. Esse é um bom exemplo de lugar que não é pensado para quem anda a pé. Ainda assim, prefiro caminhar meia-hora até lá do que ficar rodando no estacionamento em busca de uma vaga.

Outro dia saí para almoçar com duas amigas em um sábado. Nenhuma tem carro. Nos encontramos no metrô e fizemos uma caminhada de 10 minutos até o restaurante. E ainda estava garoando.

No começo do ano, precisei fazer algumas sessões de fisioterapia. Todos os dias eu acordava, tomava meu café da manhã e saía. Levava cerca de 20 minutos até a clínica. Não tinha razão para não ir a pé.

Quem tem vontade de caminhar mais, e ouço muitas pessoas dizerem isso, precisa começar de alguma maneira. E não há jeito melhor do que experimentando. É preciso, em algum momento, deixar o hábito de usar o carro para tudo. Eu sugiro escolher um trajeto inusitado, daqueles em que você não se imagina sem o carro. Calce um tênis e faça o caminho a pé. No mínimo, você terá mais argumentos para dizer por que prefere ir de carro.

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