Parque sem muros
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Parque sem muros

Até algumas semanas atrás, quem seguia pela Rua José Alexandre Almeida Luiz, no Jardim Anália Franco, em direção à Rua Eleonora Cintra dava de cara com esse muro:

Reprodução do Google Maps
Reprodução do Google Maps

Agora, quem segue pela mesma rua, se depara com esse parque:

ceret sem muro

Agora eu pergunto: qual dos dois cenários é melhor?

O parque está ali há 40 anos. E não há como negar que avistá-lo da rua é bem mais agradável do que dar de cara com um muro que, simplesmente, escondia um lugar bonito das pessoas.

Uma parceria entre a prefeitura de São Paulo e a Porte Engenharia e Urbanismo trocou o muro do Ceret, no Jardim Anália Franco, por um gradil. A ideia é integrar a paisagem do parque à rua e, consequentemente, deixar o bairro mais seguro e agradável. Afinal, muros isolam tanto quem está dentro, quanto quem está fora.

Fiz o teste de andar por aquela calçada tendo o parque ao meu lado. E posso dizer: foi bom.

Andar pela calçada do Ceret ficou bem mais agradável depois que derrubaram o muro
Andar pela calçada do Ceret ficou bem mais agradável depois que derrubaram o muro
Para quem está dentro do parque, a instalação do gradil também fez bem. afinal, é melhor ter a vista da rua do que de um muro
Para quem está dentro do parque, a instalação do gradil também fez bem. Afinal, é melhor ter a vista da rua do que de um muro

Para comparar, caminhei por outro ponto na mesma região, dessa vez com um muro separando a calçada de um terreno que, por enquanto, funciona como estacionamento. A sensação é diferente.

Caminhar por essa calçada, com o muro ao lado, me fez apertar o passo
Caminhar por essa calçada, com o muro ao lado, me fez apertar o passo

Com o muro ao lado, apertei o passo. Sem ele, pude desacelerar e observar. Minha conclusão é de que o muro empobrece e hostiliza a paisagem. E a consequência é um lugar sem vida. Ao derrubá-lo e deixar o parque à mostra, todo mundo sai ganhando. Afinal, quem não gosta de andar por lugares bonitos e agradáveis? E atrair pessoas para um lugar é fundamental para valorizá-lo e torná-lo mais seguro. Jane Jacobs diz no livro Morte e Vida de Grandes Cidades, que é preciso ter os “olhos para as ruas”, ou seja, gente que circula e mantém vivo um lugar. É preciso dar à população motivos para usar as calçadas, e não o contrário. “A segurança das ruas é mais eficaz, mais informal e envolve menos traços de hostilidade e desconfiança exatamente quando as pessoas as utilizam e usufruem espontaneamente e estão menos conscientes, de maneira geral, de que estão policiando”.

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