Medo de andar?
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Medo de andar?

 

Se eu tenho medo de andar a pé? Às vezes sim, às vezes não. O meu medo depende do lugar pelo qual vou passar, do horário e até do meu estado emocional. Se eu acho que andar a pé é menos seguro do que de carro? Depende do lugar e do momento. Não acho que exista uma resposta que encerre esse assunto. É preciso relativizar muita coisa.

São Paulo não é a cidade mais segura do mundo e, obviamente, tem muitos perigos em suas ruas. Eu não andaria despretensiosamente pela região da Cracolândia, por exemplo. Seria uma grande falta de responsabilidade. Mas no dia a dia, naquele ir e vir do trabalho, do mercadinho, da academia ou da escola, nem sempre esses perigos são assim tão reais e palpáveis.
Você pode ser assaltado? Pode. Você pode ser sequestrado ou até mesmo assassinado? Pode. Mas e de carro, não pode? Claro que pode!

Já é hora de dimensionarmos o medo e deixá-lo do tamanho que ele deve ser. Andar na rua exige alguns cuidados e muita atenção. Simplesmente flanar, sem estar atento ao que acontece a sua volta, te deixa muito mais vulnerável a perigos, seja assalto ou acidentes.

Quando ando, ligo um radar que me faz desconfiar de tudo (na verdade esse radar nunca desliga, não importa o modal). Sou daquelas que atravesso a rua se estiver desconfiada, entro em algum lugar se achar que preciso e passo direto pela minha rua quando acho algo estranho. São medidas de segurança que aprendi e escolhi. É como olhar para os dois lados antes de atravessar a rua: faço sempre.

Estratégias
Assim como ouvimos a rádio SulAmérica Trânsito ou consultamos o Waze para saber dos congestionamentos ou batidas policiais, é preciso usar a inteligência e os recursos que a tecnologia te oferece para saber se vale a pena ou não andar por algum lugar. O Google Maps é um santo aliado. Se você vai passar por locais que não conhece bem, vale olhar as fotos das ruas que fazem parte do seu trajeto antes de sair. Isso vai te dar uma boa ideia do que pode ser encontrado pelo caminho. O bom e velho bate papo com quem já conhece o lugar também ajuda (olha o WhatsApp aí pra facilitar tudo!).

Ano passado, fiz um exercício para um curso que era, justamente, andar a pé por um trajeto que eu não conhecia (e depois escrever um texto sobre a experiência). Eu escolhi a Zona Norte. Pensei em um caminho ‘X’ e corri para o Google Maps. Pelas fotos, vi que era um trecho bem residencial, com muitas ruas ermas. Fiquei com um pouco de medo. Conversando com um amigo que é da ZN, ele me alertou para as ladeiras que encontraria naquela região e me indicou outro ponto de partida. Segui a dica do conhecido. Foi uma experiência bem interessante.

Quanto mais você anda a pé, mais aprende sobre comportamentos seguros e melhores trajetos. Se fizer os caminhos sempre pela mesma região, fica mais fácil saber quais são mais amigáveis e agradáveis. Eu, por exemplo, já sei quais são as ruas mais arborizadas do meu bairro e, nos dias mais quentes, escolho passar por elas. Também já conheço alguns trechos que são menos agradáveis, mais ermos e, na minha opinião, mais perigosos. Com certeza, eu os evito.

Prefiro mudar minhas rotas constantemente, seja porque vario a paisagem, seja porque não fico marcada por passar sempre naquele lugar, embora eu ache que isso tenha um lado positivo. Se você passa todo dia em frente à banca às 8h, o jornaleiro acaba te conhecendo e pode ser um porto seguro caso você precise de algo. É uma observação bem empírica da minha parte, mas vejo certo sentido. Afinal, é bom conhecer aquelas pessoas que sempre cruzam o seu caminho.

Obviamente os pedestres são mais vulneráveis do que quem anda de carro. Mas isso não quer dizer que é preciso ter super poderes para andar a pé. Tem que ter um pouco de vontade. Só não vale justificar um hábito com frases feitas, sem antes refletir sobre ele. Andar a pé não é uma obrigação e o carro não é uma invenção do demônio, feita para extinguir a humanidade da Terra. Tudo tem a hora certa. E, sabendo usar, tem espaço para todo mundo.

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