Paixão e mobilidade
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Paixão e mobilidade

Há 11 anos, a jornalista Ana Paula Risson trocou São Paulo pela Holanda. O motivo foi a paixão por um holandês, seu marido e pai de seus dois filhos. A mudança para Amsterdam também implicou em um novo estilo de vida. Na “capital da mobilidade” ela percebeu que o carro não precisava ser o seu principal meio de transporte. Conversamos um pouco sobre isso graças às facilidades da tecnologia (hello Facebook, I love you!) e ela me contou que quando morava em São Paulo usava o carro mais por costume do que por necessidade. Fazendo um exercício de imaginação, Ana Paula acha que, se voltasse a morar no Brasil, usaria o carro de um jeito diferente, embora ressalte que a falta de segurança (ou a sensação de insegurança) ainda é um problema por aqui.

“Em Amsterdam as pessoas estão acostumadas a não depender do carro e saem muito a pé e de bicicleta. Além disso, a cidade tem um transporte público excelente.O carro é uma mão na roda, não vou negar, mas uso apenas quando é necessário: para ir ao supermercado, levar minha filha à natação – porque a escola fica em um bairro afastado – e visitar meus sogros, que moram em outra cidade. No dia-a-dia, levo meus filhos para a escola de bicicleta (gasto cinco minutos) e vou trabalhar de ônibus. Quando morava no Brasil, costumava fazer tudo de carro. Hoje, aqui, faço muitas coisas a pé, de bicicleta e de transporte público.

Gosto muito de caminhar pelo centro da cidade. Amsterdam não tem shopping, então, a rua é o lugar onde fazemos compras, tomamos um café, passeamos. Normalmente vou para o centro de tram (bonde), até porque o estacionamento é bem caro (5 euros a hora) e acho dinheiro jogado fora para algo desnecessário. Da estação central até a praça Dam, onde tem uma loja que eu gosto muito, são 10 minutos de caminhada. Aproveito esses passeios para ver umas vitrines, comer uma bobeira pela rua, essas coisas. Acho que é por isso que gosto de andar a pé!

Em São Paulo, eu andava muito de carro por costume. Durante um período da minha vida morei em Taubaté, no interior. Minha casa ficava a menos de um quilômetro do meu trabalho e, mesmo assim, ia de carro. Era fácil, o carro estava a minha disposição, o estacionamento era gratuito, então nunca pensei em outra opção. Hoje seria impensável pegar o carro por preguiça de andar a pé ou de bicicleta.

No entanto, existe uma diferença grande entre o Brasil e a Holanda: a segurança. Aqui eu ando na rua sem olhar para trás. Se voltasse a morar no Brasil, acho que seria possível usar menos o carro, mas talvez eu tivesse medo de caminhar sozinha por 500 metros dependendo do bairro ou do horário. Tenho amigas que têm medo de levar os filhos a pé até a escola, mesmo morando a apenas dois quarteirões de distância. Acho um pouco triste essa situação, mas não quero julgar ninguém, mesmo porque saí do País há 11 anos e, na época, não tinha filhos. Quando estou no Brasil minhas irmãs zombam de mim, dizendo que virei muito ‘gringa’ porque quero fazer as mesmas coisas que faço por aqui, como andar a pé, de um bar a outro, à noite, na Vila Madalena!

A verdade é que me sinto super segura caminhando por aqui, onde o pedestre é respeitado. Ainda assim, acho que usar menos o carro é, também, uma questão de costume”.

0 thoughts on “Paixão e mobilidade”

  1. Excelente matéria sobre a vida na Holanda. A jornalista Ana Paula relata o seu cotidiano no uso dos meios de transporte de Amsterdam e as diferenças de seu país de origem. Acompanho também o seu blog (De unha feita em Amsterdam) onde consegue conciliar informações úteis e muitas dicas de sua bela cidade. Parabéns.

  2. Depoimento interessante… Só discordo de uma coisa: como assim Amsterdã não tem Shopping? Bem atrás do dam, lugar mencionado na própria entrevista, tem o magna Plaza que é imenso e opulento, não tem como passar despercebido! Abraços!

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