O lado prosaico do bairro
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O lado prosaico do bairro

Casa antiga em uma das diversas ruazinhas que cortam o Tatuapé.
Casa antiga em uma das diversas ruazinhas que cortam o Tatuapé.

Trabalho no Tatuapé há seis anos. Há quatro sou, também, moradora do bairro. Até o começo de 2014, tinha a facilidade de ter um ônibus que saía de um ponto a 200 metros de casa e parava a 200 metros do meu trabalho. E era um ônibus que estava sempre vazio e tinha um motorista e cobrador simpáticos. Eles conversavam com todo mundo e conheciam os passageiros, alguns pelo nome. Era muito fácil. Ainda mais com esses aplicativos que permitem saber onde o ônibus está para calcular a hora de ir para o ponto. Saía de casa, dobrava o quarteirão e o Parque São Jorge já estava apontando na rua.

Há pouco mais de um ano esse ônibus mudou de linha e deixou de ser uma opção. Foi aí que comecei a andar mais. Na mesma época, comecei a fazer o Instagram da revista do bairro e, para conseguir material, caminhar era a melhor solução. Foi nesse momento que andar para o trabalho passou a fazer parte da minha vida mais vezes durante a semana.

Gasto cerca de meia-hora para ir, às vezes mais se eu resolvo parar em algum lugar ou fazer muitas fotos. Sem ter que me preocupar com a contramão, posso variar o caminho constantemente. Para mim, uma forasteira nessa cidade e nesse bairro, caminhar virou um ótimo jeito de descobrir e entender melhor o lugar onde vivo.

Essas caminhadas me apresentaram o lado mais prosaico do bairro. As casas antigas – preservadas ou não –; as árvores frutíferas espalhadas pelas ruas; as vilas – que por aqui são muitas -; as placas colocadas pelos moradores; o comércio; os grafites; os gatos; as ruas com nomes estranhos; as ruas com nomes bonitos etc.

Tem gato na paisagem...
Tem gato na paisagem…
Vila com capela no centro.
Vila com capela no centro.

Percebi que conhecer esse cotidiano de trivialidades me traz bem-estar e satisfação. E bem-estar é algo que, ao contrário do que se prega por aí, não está apenas na vista bucólica do alto da montanha. O segredo é encontrá-lo no dia-a-dia. Eu encontro um pouco desse bem-estar conhecendo mais sobre o lugar onde vivo. E faço isso caminhando!

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