A pé na Radial Leste
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A pé na Radial Leste

Resolvi testar ser pedestre na Radial Leste, uma via que recebe milhares de carros diariamente e liga a Zona Leste ao centro de São Paulo. Caminhei entre a estação de Metrô Tatuapé e a Rua Antonio de Barros, um pouco à frente da estação Carrão. É um trecho curto, perfeitamente possível de ser feito andando, mas….

Bem, vamos às impressões. Parti de casa com uma expectativa: seria a única pessoa caminhando pela via e encontraria calçadas destruídas, piores do que aquelas que vemos dentro do bairro. Afinal, quem, em sã consciência, vai andar pela Radial Leste? Quebrei a cara. As calçadas desse trecho da Radial são até melhores que as que vejo dentro do bairro, já que não há impedimentos como portões de garagem abertos ou adaptados, que avançam para a calçada, obras que fecham a calçada e te obrigam a ir para o meio da rua, mesas de bares ou degraus. Nesse sentido, a Radial é até um bom lugar para os pedestres. Os problemas são buracos e piso quebrado ou irregular. Em momento algum precisei sair da calçada e caminhar pelo meio da via (até porque isso seria suicídio!), como faço com certa frequência nas caminhadas pelo bairro.

Sobre a quantidade de pessoas caminhando, havia mais gente do que eu imaginava. Principalmente nos trechos que ficam a até dois quarteirões do metrô. É, parece que a Radial não é só dos carros…

E o conforto?

Para que as pessoas se sintam estimuladas a caminhar, é preciso oferecer a elas conforto e segurança. Sem isso, ninguém vai querer sair de casa a pé se puder ir de outra forma, principalmente de carro. O conforto de um pedestre se faz com a junção de uma série de fatores. Entre eles está a roupa e o sapato, o clima, a qualidade das calçadas, a arborização, os espaços com sombra disponíveis e a poluição sonora.

A roupa e o sapato são decisões pessoais. O clima é algo que foge do nosso controle e não tem sido muito amigo dos pedestres nos últimos anos. Afinal, 30 °C às 9h não é lá muito agradável! Mas, se o caminho for arborizado e tiver sombra fica bem mais fácil. E aí chegamos a um dos problemas da Radial Leste. A paisagem e o clima são bem áridos. Eu não caminhei pela ciclovia, onde há mais árvores, mas pelo outro lado, onde há empresas, lojas, hospitais e muito concreto. Praticamente não há verde nas calçadas, o que, aliado à grande quantidade de carros e ônibus circulando e ao calor desses últimos dias, torna a caminhada bem difícil. As árvores que existem estão no canteiro central, dividindo as duas pistas, por onde pedestre não passa. Logo depois do Metrô Carrão (para quem segue sentido Itaquera), há um trecho largo, tipo um boulevard, que oferece certo alívio. Fora isso, é difícil achar uma sombrinha.

Quando caminho por dentro do bairro, esse problema da falta de arborização e de áreas mais frescas também existe. A vantagem é que posso mudar rapidamente de caminho, escolhendo ruas mais agradáveis, embora isso nem sempre seja possível. E enquanto caminhava e desejava uma sombra que amenizasse o calor, fiquei pensando no que poderia ser feito. Aquelas árvores no canteiro central são mesmo necessárias? Não seria melhor ter calçadas mais largas e com espaço para árvores que dão sombra? Ou, por que não, ter as duas coisas?

Poluição Sonora

Eu até gosto de um barulho. Indica movimento, gente por perto. Mas o ruído que se ouve caminhando pela Radial é insuportável. De dentro do carro a gente não percebe o quanto aquele fluxo intenso de veículos é barulhento. Na calçada, com os ônibus passando e parando bem ao nosso lado, é ainda mais incômodo. Nas caminhadas constantes por dentro do bairro eu não me incomodo com o barulho que, claro, existe. Mas ali, na Radial, posso dizer que foi o que mais incomodou. Porque você é um pontinho no meio daquela imensidão de carro, moto e ônibus. Se há falta de estímulo visual na avenida — já que tudo é grande, alto e pensado para se ver de carro que, afinal, é o principal veículo que circula por ali — sobra um barulho ensurdecedor. É bem desestimulante. Não acredito que a redução de velocidade, que já está instalada na via, resolva esse problema. Até porque, duvido que aqueles ônibus circulem a 50 km/h. Duvido mesmo.

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