Andando no viaduto
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Andando no viaduto

 
Viaduto Antonio Abdo, em São Paulo

A experiência de atravessar um viaduto é bem comum para quem está de carro, e quase estranha para quem anda a pé. Afinal, essas estruturas são pensadas para que os veículos possam circular por cima de grandes avenidas, rios ou linhas de trem de uma forma mais fácil e supostamente segura.

Perto do meu trabalho tem um viaduto curto, o Antônio Abdo, que que faz a ligação entre dois lados do bairro. Podemos dizer que ele liga a Avenida Conselheiro Carrão à Avenida Celso Garcia. Já passei por ali algumas vezes de carro e sempre pensava: um dia quero experimentar fazer esse trajeto a pé. Esse dia chegou!

O que primeiro chamou a minha atenção foi que havia muito mais gente atravessando o viaduto do que eu podia imaginar. E, olha, senhoras de meia idade e pais com crianças no colo estão entre essas pessoas. A travessia é realmente curta: não dura mais do que 15 minutos em um ritmo tranquilo, sem correria. O viaduto não é plano, mas a inclinação é bem leve, fácil de ser transposta. A passarela de pedestres fica no centro, entre as duas pistas usadas pelos veículos. É bem larga, principalmente no meio do trajeto, e, sinceramente, não tive medo (era de dia, por volta de 10h30 na ida e 11h30 na volta) nem de ser assaltada, nem de ser atropelada.

Vendo aquelas pessoas fazendo o trajeto que eu fazia por opção, e imaginando que elas estavam ali porque precisavam (algumas, provavelmente, fazem aquilo todos os dias), fiquei pensado na demanda que existe para aquele trecho. E, se existe a demanda, seria bem legal que se pensasse com mais atenção e seriedade o que pode ser feito para melhorar as condições da travessia a pé.

Por que não arborizar o viaduto, criando um espaço mais agradável, com sombra, quem sabe até um banco para as pessoas poderem parar um pouco no meio do caminho caso sintam vontade? Em sua parte central, o viaduto me parece largo suficiente para comportar algumas espécies de árvores que poderiam ajudar a melhorar aquele ambiente hostil, com muito carro, ônibus, poluição e uma paisagem bem árida no entorno (você possa por cima da Radial Leste e da linha do trem e do metrô).

De carro, em um minuto você atravessa o viaduto de uma ponta a outra e nem se dá conta do que tem a sua volta. Mas a pé, o entorno se torna bem importante, seja para a sensação de segurança ou para o bem-estar. E bem-estar é algo fundamental para os pedestres. Ter um ambiente convidativo é um estímulo para as pessoas a usarem cada vez mais o espaço. E ter possibilidade para todos é o que pode deixar a cidade melhor!

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