Conforto
Andar a pé Blog

Conforto

 

Existem alguns assuntos que podem soar como banais em meio a uma discussão profunda sobre mobilidade urbana. Falar sobre calçadas, transporte público, estacionamento, cidade para as pessoas, ciclovias e ciclofaixas é, certamente, fundamental. Perto desses temas, falar sobre roupas, sapatos, bolsas, mochilas, suor e chuva parece banal. Como pedestre, sou obrigada a dizer que não é. Todos esses temas se inserem em um ainda maior: o conforto, algo que buscamos a todo o momento e que meios de transporte como o carro nos dão na maior parte do tempo. Afinal, é bom poder jogar livros, papéis, casaco, carregador de celular e sapato no banco de trás e não ter que se preocupar em como carregar tudo isso. Sem contar o ar-condicionado, essa invenção mágica, incrível, que deveria render o Nobel da paz ao seu inventor.

O pedestre não conta com essa vantagens. A praticidade de se andar a pé (é só levantar e ir) acaba sendo, muitas vezes, contrária a esse conforto. Por isso, uma vida a pé requer estratégias e escolhas muito bem feitas. Ainda assim, nem sempre isso é garantia de conforto. Mas, como tudo na vida, às vezes é preciso algum sacrifício. E toda escolha vem acompanhada por um bônus e um ônus.

  1. Roupas e sapatos

Para uma caminhada ser boa, a roupa e o sapato precisam ser confortáveis. Isso é fácil de resolver quando a gente sai por aí à toa, em um fim de semana ou dia de folga. Vestimos um moletom, um par de tênis, colocamos um documento de identidade e um cartão no bolso e voilá. Mas quando falamos em incluir a caminhada no dia a dia, para ir trabalhar, por exemplo, o dress code, muitas vezes, não pode ser tão informal. E, sim, isso pode ser um problema e até um impedimento para quem pensa em colocar as pernocas pra caminhar.

Para quem usa roupas informais no dia a dia do trabalho, não há muito a dizer a não ser “crie coragem e vá a pé!”. Agora, para quem não pode passar o dia todo de moletom e tênis, é preciso pensar um pouco e, na maioria das vezes, fazer algumas mudanças no guarda-roupa.

Eu não preciso estar vestida formalmente no meu trabalho, ou seja, jeans e sapato baixo, até mesmo tênis, estão liberados. Mas também não dá para ir trabalhar como se fosse para a praia ou academia. Aqui, não dá pra deixar de fora a questão de estilo. Algumas pessoas adoram usar tênis. Eu não gosto. Sinto-me como um astronauta pisando na lua quando visto um par deles. Ainda assim, acho que é o calçado mai confortável que existe para andar. Justamente por não conseguir passar o dia todo de tênis (até porque dá um calor desgraçado), faço parte do time que coloca o tênis na hora que vai sair de casa e troca de sapato quando chega ao trabalho. Portanto, se vocês me virem na rua vão achar que não entendo nada de moda (e talvez não entenda mesmo), porque o meu guarda-roupa, infelizmente, tem poucas coisas que combinam com tênis (além disso, eu acho que nada, além de moletom, combina com tênis). Então, dobro a barra da calça flare e vou com fé. Fica horrível, eu admito, mas é bem mais confortável para andar. Está na lista das coisas a fazer tirar um ou dois dias para encontrar looks mais confortáveis, que sejam compatíveis com caminhadas e um dia de trabalho.

Vestir uma roupa mais confortável, como o já citado moletom, e levar a roupa do trabalho em uma sacola ou mochila também é uma alternativa. Mas, convenhamos, um pouco desanimadora. Acho bem pouco prático essa coisa de ficar carregando coisas. Para quem não se incomoda, vale a pena investir em roupas que não amassem. Porque não há mochila ou sacola capaz de deixar uma mísera camiseta com cara de que acabou de ser passada.

A meu ver, a melhor alternativa para quem realmente quer fazer mais coisas a pé é investir tempo e dinheiro em um guarda-roupa mais compatível com esse estilo de vida. Embora eu ande muito a pé, o meu guarda-roupa ainda não se enquadra nesse estilo, mas o hábito de andar e a necessidade cada vez maior de me sentir confortável já me ensinaram algumas coisas sobre roupas:

  1. Nunca, jamais, compre blusas com tecidos sintéticos. Se na etiqueta estiver escrito 100% poliéster, pule fora imediatamente. Esses tecidos fazem a roupa virar um forno e ainda ficam com cheiro ruim ao longo do tempo. Sem contar que mancham bem mais fácil.
  2. Linho é tudo de bom. Fresco, confortável e elegante. Mas, amassa. Se a ideia é colocar a roupa dentro da mochila para vestir no trabalho, esqueça. A menos que você tenha um ferro de passar à mão.
  3. Sapato tem que ser bom. Eu tenho algumas marcas que gosto, então, quando vou comprar algo novo sempre acabo recorrendo a elas primeiro. Mas sapato é o tipo da coisa que você só sabe se vai ser mesmo confortável quando coloca no pé e sai para andar. Alguns, você já sente na loja que vai apertar ou machucar. Não compre porque não vale a pena. Outros, você vai ter que comprar e depois sair por aí para ver o que acontece. Por isso, minha dica é: sempre tenha band-aids na sua bolsa!

Mochila X bolsa

Quando usamos o carro, temos o conforto de poder carregar um monte de coisa sem se preocupar. Sapato, caixas, sacolas, livros, cadernos. É só colocar lá dentro e já era. Agora, quando se escolhe fazer algo a pé, é necessário certo planejamento.

Minha dica é se adaptar a bolsas pequenas, mais leves e práticas. Posso dizer que é possível. Para isso, eu aboli a carteira. Coloco dinheiro, cartões e documento em algum compartimento interno da bolsa. Meu óculos de sol fica no rosto ou na cabeça. Não levo a caixa para guardá-lo porque preciso levar a do óculos de grau, que já ocupa um bom espaço. Só carrego maquiagem quando sei que vou precisar dela no fim do dia. Na verdade, esse é um exercício de tentativa e erro. Experimente sair de casa sem algo que acha que vai fazer falta e veja o que acontece.

Ano passado, comprei uma mochila para facilitar na hora de carregar livros e outras coisas. Porém, não sou muito fã de mochilas, a não ser para viajar. Mas, tenho que admitir, é um acessório bem prático para quem anda a pé, porque deixa as mãos livres e divide o peso do que se carrega. Só que deixa o visual mais despojado e esportivo. Se essa não é a sua vontade, pode valer a pena investir em um modelo mais refinado, de couro, que continua sendo despojado, mas não faz parecer que você está voltando do colégio.

Tenho usado bastante a minha mochila, que não é o modelo mais elegante que existe, mas também não tem cara de colégio. Aprendi que para não ficar um look muito esportivo e despojado, o segredo é combiná-la com peças mais finas, de tecidos mais elegantes, um salto ou sapatilha de bico fino. Funciona! Importante: ajuste a alça da mochila pra que ela fique bem colada às suas costas. Isso melhora muito o conforto na hora de carregá-la.

Suor

Suar enquanto caminha, em dias quentes, é praticamente garantido e é chato demais. Por isso, quando está muito calor, costumo optar por não ir a pé. No alto verão, uso muito a carona do maridão ou ônibus. Realmente, é muito desconfortável e incômodo andar debaixo do sol escaldante. Não tenho nem dicas para dar. Só posso desejar sorte para quem escolhe ou precisa fazer isso.

Chuva

A chuva atrapalha a mobilidade de qualquer pessoa. Mas ninguém pode parar porque São Pedro resolveu mandar uma semana de água. Não há muita dica a ser dada. Se puder esperar a chuva passar para sair, melhor. Se for uma chuva que o guarda-chuva aguente, compre um de boa qualidade e vá em frente. Se não quiser molhar o pé, compre uma galocha. Se não tiver opção, se molhe! Afinal, nem sempre a vida é do jeito que a gente quer!

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