Colheita Urbana
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Caminhada pela City Lapa em busca de Plantas Alimentícias não Convencionais (Foto: Maisa Infante)

E desta vez a cidade foi cenário de uma caminhada cheia de conhecimento e curiosidade. Uma caminhada guiada, coisa que eu nunca tinha feito, e com um foco muito bem definido: encontrar PANCs (Plantas Alimentícias não Convencionais) pela City Lapa. Pra mim, foi duplamente interessante: aprender sobre PANCs e caminhar por um bairro no qual eu nunca tinha ido. Muita expectativa e emoção em um único sábado!

Esse projeto da Neide Rigo, Pancnacity, é de uma beleza só. Nutricionista, cozinheira, pesquisadora, ou seja lá qual for a denominação que se dê (dá uma fuçada no blog que ela mantém para entender melhor), ela conseguiu um jeito de apresentar uma outra cidade para as pessoas, mesmo que não seja essa a intenção.

A caminhada acontece na City Lapa e passa pela horta urbana que ela e alguns vizinhos fizeram — não sem ter que se envolver em algumas polêmicas no mínimo desnecessárias e, a meu ver, fora de propósito — e por outras ruas das redondezas. Não cronometrei o tempo do passeio, mas acho que foram cerca de duas horas de caminhada.

A City Lapa é um bairro tombado na Zona Oeste de São Paulo. É arborizado, têm ruas e calçadas largas, casas lindas, antigas, muitas de muros baixos (o que me chamou a atenção e acrescentou ainda mais ‘interessância’ ao passeio) e nenhum prédio. Um cenário que ajuda nesse passeio porque traz infinitas opções de lugares para se explorar, por mais que eu tenha sentido o bairro, de características absolutamente residenciais, um pouco deserto, sem tanta gente usando suas ruas. Mas esse é assunto para outro post.

Explorar as PANCs da City Lapa foi um jeito interessante de conhecer um local pelo qual eu nunca havia passado. Micro pepinos, por exemplo, tomavam a cerca de um casarão antigo e lindo, um pouco abandonado, em frente a uma praça gigante do bairro. Provavelmente eu não teria prestado atenção neles se a Neide Rigo não estivesse guiando o passeio. Mas a casa certamente teria fisgado o meu olhar.

Micro pepino colhido em cerca de casarão semi-abandonado na City Lapa, em São Paulo (Fotos: Maisa Infante)

Cúrcuma, um tempero que a gente compra no supermercado em pó e é uma delícia, estava no meio de uma rotatória — que tem todas as características de uma praça, menos bancos e um acesso para os pedestres chegarem até ela. Eu garanti a minha muda. Flores de Malvavisca, colhemos em uma árvore na esquina e deixamos a salada incrivelmente colorida, com ela e pétalas de algumas outras flores. Lindo de se ver e delicioso de comer.

A cúrcuma encontrada no meio de uma praça (foto: Maisa Infante)

Curioso como as plantas estão expostas e disponíveis no caminho. Árvores enormes certamente chamam mais atenção, seduzem o nosso olhar. Mas em pequenas moitas e calçadas mal cuidadas há uma série de plantas que podem entrar para o nosso cardápio, algumas como tempero, outras como prato principal.

PANC é um assunto relativamente novo no mundo da gastronomia, mas muito interessante para quem se interessa por comida. Muitas dessas plantas já fizeram parte da rotina alimentar dos humanos, mas com o tempo foram substituídas por outras e caíram no esquecimento (Para saber TUDO sobre o assunto, compre o livro Plantas Alimentícias não Convencionais do Brasil, de Valdely Kinupp e Harri Lorenzi).

Mosaico com as PANCs colhidas em uma manhã de caminhada (Foto Maisa Infante)

E PANC tem muito a ver com a cidade porque é possível encontrá-las nas ruas. Boa parte delas, a gente chama de mato e arranca do quintal ou joga veneno no canteiro da calçada para matá-las. Não acho que as PANCs vão resolver o problema da fome no mundo, mas é interessante ver a variedade de alimentos que temos disponíveis, até para pensarmos em como podemos (e devemos) nos relacionar com eles. Neide trabalha com isso, cozinha diariamente, dá aulas e oficinas e faz pratos absolutamente inusitados em sua cozinha-laboratório. A gente fica com uma invejinha branca e volta pra casa pensando que, assim como ela faz, é preciso experimentar: a cozinha e a cidade. #pancnacity

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