O Outono
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O Outono

 

A chegada de um clima mais ameno traz, pra mim, a disposição, algo que me falta no calor. Pode até rolar aquela preguiça de levantar da cama de manhã, mas depois que a mágica acontece, difícil perder essa disposição. Trabalhar, andar, pensar e até malhar se tornam atividades mais prazerosas.

É guiada pelo azul absolutamente incrível do céu de Outono que começo a fazer algo que amo: caminhadas após o almoço. Sou incapaz de fazê-las naquele verão senegalês que vivemos recentemente. O corpo padece. Mas, agora, a situação já mudou. Tenho vontade de andar e medo de perder o horário diante de tanta empolgação. Saio sem rumo e gosto de me embrenhar por ruas que nunca entrei, principalmente aquelas pequenas, estreitas, que quase passam despercebidas e têm nomes estranhos como “Travessa Gongos Chineses”. Gosto de olhar cada casa, cada janela, as plantas, as lojas.

São Paulo

Gosto, também, de perceber a movimentação das pessoas. Trabalho em uma área mista, ou seja, com casas, comércio e serviços. Durante essas caminhadas pós-almoço é fácil cruzar com gente indo almoçar em casa, estudantes indo para a escola, fumantes na calçada com o crachá pendurado no pescoço, gente limpando a garagem, vizinhos conversando no portão, bebedores solitários no bar.

São Paulo carrega um peso por ser uma cidade grande e hostil. E é fácil esquecer, ou simplesmente não perceber, que entre os prédios espelhados, os grandes edifícios e os congestionamentos há uma vida comum, de gente que vai trabalhar, almoça em casa, leva os filhos na escola, leva o carro para a oficina, limpa a casa, rega as plantas ou arranca matos da calçada. Esse é o clima que eu vejo e sinto quando faço meus passeios pós-almoço. Obviamente, há diferenças expressivas no cenário dependendo da região em que se está. Mas, certamente, esse céu de Outono faz qualquer um deles ficar mais bonito.

Céu de outono

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