A chuva
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A chuva

 
Calçadas molhadas em dias de chuva…

A chuva é (quase) sempre bem-vinda. Sentimos falta dela nos últimos anos, embora a sua ausência não tenha sido a única culpada pela falta d’água que deixou a cidade de São Paulo em alerta. Foi bastante tempo (não sei precisar se meses ou mais de um ano) com as torneiras de casa secas logo no começo da tarde. Agora, elas secam só tarde da noite. A chuvarada deste começo de junho deixou a cidade cinza, nublada, soturna e triste. Eu, que gosto de dias nublados, fiquei incomodada com a falta de luz. Comemorei o céu azul da quarta-feira, que veio em boa hora em uma semana pesada, de energia baixa, com a ida a três velórios em três dias. Coisas da vida, enfim.

Céu azul depois de quatro dias seguidos de chuva
Céu azul depois de quatro dias seguidos de chuva

Sem aquela chuvarada, as caminhadas podem voltar. Porque, tudo bem caminhar na chuva, mas não tinha a menor vontade de fazer isso naqueles dias de precipitações intermináveis e roupas úmidas no varal. O pé fica molhado (e gelado); a barra da calça fica encharcada; você é obrigado a pisar em poças; as calçadas esburacadas viram pista de rali sem direito a um navegador para te ajudar; o meio fio vira um rio e, para atravessar a rua, só enfiando o pé na água. É chato pra caramba!

Calçada intransponível em qualquer dia,que fica muito pior quando chove
Calçada intransponível em qualquer dia,que fica muito pior quando chove

Caminhar na chuva é, enfim, incômodo. O que mais me atrai nas caminhadas é a liberdade. É poder virar em qualquer esquina, mudar o caminho de repente, parar e olhar o que for interessante, andar devagar, sentir a cidade, respirar (tudo bem, vamos pular a parte da poluição para deixar a história mais bonitinha). E, na chuva, essa liberdade não é plena. O próprio guarda-chuva te restringe movimentos, deixa o braço ocupado e ocupa espaço na calçada. A atenção precisa ser redobrada para evitar trombar com outros pedestres e seus guarda-chuvas; para desviar das poças que se formam não apenas em buracos, mas até em frestas das calçadas; e para não tomar um banho de água suja quando algum carro passa por uma poça.

A chuva apressa a caminhada. Apesar dos obstáculos que ela traz, faz com que a gente queira andar mais rápido, driblando os perigos e incômodos de forma nada cuidadosa. O objetivo é chegar o mais rápido possível ao destino, de preferência um lugar seco e confortável. O caminho pouco importa, desde que ele seja curto e rápido. No fim, a caminhada perde seu charme, que está no caminho, e vira só um meio de transporte qualquer.

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