As árvores frutíferas e a conexão entre a natureza e a cidade
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As árvores frutíferas e a conexão entre a natureza e a cidade

Observar as árvores frutíferas que se espalham pelo bairro é um bom jeito de retomarmos o nosso contato com a natureza!

Vocês já repararam nas árvores frutíferas que existem nas calçadas do bairro? Em uma única caminhada encontrei acerola, goiaba, mamão, jambo e jaca. Também já vi por aí pitangueiras, amoreiras, cereja do Rio Grande, araçá e até café. Como não sou uma exímia conhecedora desse universo, certamente passei por muitas outras que não sei identificar, principalmente se não estiver na época da frutificação.

Não sei quanto a vocês, mas eu fico encantada quando vejo uma árvore frutífera na calçada. Acho bonito, acolhedor. Notar as árvores é um dos benefícios de se andar a pé. E é um jeito de aprender mais, e na prática, sobre esse universo. Foi justamente observando as pitangueiras, mamoeiros e goiabeiras que percebi o quanto desconheço a respeito das árvores. Eu adoro comer frutas e adoro tê-las disponíveis no supermercado para comprar quando me der vontade. Mas essa comodidade nos tira da conexão com a natureza, onde as frutas têm sua sazonalidade e não estão disponíveis o tempo todo. E é muito fácil perceber isso observando as árvores no meio da cidade. No fim do ano, as imensas mangueiras estavam carregadas e faziam nosso olhar ir lá pra cima. Agora, as goiabeiras estão cheias de frutos verdes, prestes a ficar maduros e saborosos. Em setembro começam as amoras.

Observar esses ciclos acontecendo nas calçadas, entre os prédios, os carros e o concreto, nos conecta com o ritmo da natureza e traz um respiro de vida para quem vive em São Paulo, uma cidade onde parece não haver espaço para o verde e toda essa simbologia de vida que as árvores frutíferas nos trazem a cada estação. Mas o espaço existe, e está no nosso caminho do dia a dia, é só prestar atenção. E é bom ter essas referências por perto. Para quem tem lembranças relacionadas a comer frutas do pé, é um exercício de memória e aconchego. Ver as goiabeiras carregadas fez com que eu me lembrasse do doce de goiaba em calda que minha fazia sempre no começo do ano, e que era devorado por mim e pelas minhas amigas quando chegávamos em casa depois dos bailes de Carnaval, já de manhã. Para quem não tem essas lembranças, como muitas crianças que estão crescendo nessa selva de pedra, o ambiente urbano pode se tornar uma boa escola para entender que aquilo que encontramos na prateleira do supermercado vem de uma árvore, e não da geladeira.

Não sou ativista do meio-ambiente. Sempre morei na cidade e não sou profunda conhecedora de plantas. Aliás, conheço bem pouco porque esse interesse começou há cerca de cinco anos e tem haver com o fato de ter me mudado para uma casa com quintal e, principalmente, com o hábito de andar a pé. Caminhar com frequência me fez olhar de um jeito diferente para a cidade, para o bairro e para essa natureza urbana, que cresce nas calçadas, no concreto, em meio às casas e prédios. São cenários que parecem tão distantes da nossa realidade urbana que ficamos extasiados diante das jacas penduradas nas árvores, ou de uma goiabeira cheia de pequenos frutos. Quando descobrimos uma planta um pouco diferente então, como o araçá, a curiosidade e a felicidade aumentam. É a vida se apresentando na altura dos nossos olhos.

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