Uma delicadeza chamada terrário
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Uma delicadeza chamada terrário

Criados no século 19 para transportar plantas de um lugar para o outro em longas viagens, eles são um jeito charmoso de ter plantas dentro de casa. E o Tatuapé tem quem faça terrários personalizados.

Não é de hoje que venho ouvindo falar sobre terrários. Esses “aquários” de plantas andam fazendo sucesso por aí, até porque são de fácil manutenção e ideais para quem julga não ter talento para cuidar de plantas, ou pra quem não tem tempo, mas não abre mão de ter um verdinho em casa. Já vi inúmeros sites que vendem terrários, até que, outro dia, encontrei uma pessoa que faz terrários aqui, no Tatuapé. É a Kika Correia, uma agrônoma que voltou dos Estados Unidos – para onde foi, literalmente, plantar tomates – no ano passado e resolveu se estabelecer no bairro e se dedicar integralmente a fazer terrários personalizados, cheios de charme e delicadeza, na Vi Verde Amor Plantaria Urbana. Trombei com a Kika nas redes sociais da vida e marcarmos de tomar um café. Ela me contou sua história, sua paixão pelo que faz, sua vontade de difundir mais essa “arte” e me abriu os olhos para a história dos terrários quando me disse, logo de cara, que embora seja uma modinha atual, os terrários estão há mais de um século na vida dos botânicos e que, sem eles, muitas variedades de plantas não teriam viajado pelo mundo, inclusive a nossa seringueira.

Kika Correia, a autora dos terrários

Resumidamente, um terrário pode ser definido como um ecossistema em miniatura. Dentro de um vidro, reproduz-se o ciclo de vida da planta, que consegue ser autossustentável e sobreviver por longos períodos, muitas vezes sem precisar de água. “Em um terrário fechado, por exemplo, a planta vai produzir o próprio oxigênio e consumir o CO2, se tornando praticamente independente”, conta Kika. Mas e a água, meu Deus, como faz? “Com o tempo, a planta também fica independente da água. Se a pessoa comprar um terrário que está pronto há 3 meses, por exemplo, não vai precisar colocar água. Agora, nos primeiros três meses, as plantas ainda estão em adaptação e pode acontecer de uma morrer, outra crescer demais, então é preciso ter um cuidado maior nesse período. Depois disso ele se estabiliza. Às vezes é preciso por um pouco de água a cada dois meses, mas sempre de gotinha”, explica.

O inventor do terrário é o médico inglês Nathaniel Ward, que era um botânico amador e tinha uma coleção de 25 mil plantas, muitas delas samambaias. Podemos dizer que descoberta foi o resultado da observação e da necessidade. Necessidade porque suas plantas estavam sofrendo com a poluição de Londres e muitas não se desenvolviam como deveria. Observação porque foi olhando uma jarra com pupas de borboleta, lá no século 19, que ele percebeu plantas crescendo naquele espaço e notou que poderia funcionar criar esses ambientes fechados para suas plantas e, assim, protegê-las das más condições climáticas. Assim surgiu a Wardian Case, ou Caixa de Ward, recipiente de vidro, fechado, onde as plantas sobrevivem por longos períodos fazendo exatamente o que fazem na natureza. Um experimento caseiro que acabou se tornando algo absolutamente fundamental no mundo botânico. Afinal, foi por causa das Caixas de Ward que centenas – acredito que milhares – de espécies se espalharam pelo mundo. Mudas de chá, por exemplo, foram levadas da China para a Inglaterra em Caixas de Ward. A nossa seringueira, como já foi dito, também foi levada daqui para Inglaterra nessas caixas. Era a única forma das plantas sobreviverem às longas viagens de navio, onde nem sempre havia água doce (e mesmo boa vontade) para a rega.

Ilustração da Caixa de Ward, a precursora dos terrários

De um objeto funcional, as Caixas de Ward se tornaram objetos de decoração. Hoje, temos terrários de diversos tipos, abertos e fechados, simples e mais complexos, com adereços decorativos, miniaturas, que contam histórias. Um terrário bem feito, que combina espécies que convivem juntas de forma saudável, não tem prazo de validade, segundo Kika. Podem viver de meses a anos, mas vai depender das condições do lugar onde ele fica. “Se não tiver luz nenhuma, por exemplo, as plantas vão morrer, porque elas fazem fotossíntese e precisam de luz, mesmo que indireta”.

Se você quiser comprar um terrário, entra no Instagram da Kika que há vários modelos. Ela vende pelo WhatsApp, pelo Elo7, e entrega em qualquer estação de metrô da cidade. Se quiser experimentar fazer um, ela vende kits com tudo que é preciso para montar seu próprio terrário. Vende também plantas, pedrinhas, areias e outros acessórios, e está começando um projeto de oficinas para difundir a técnica por aí.

Instagram – @viverdeamorjardins

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