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O doce de goiaba em calda do Carnaval


A cozinha e o cozinhar estão na pauta já tem algum tempo. Se antes, cozinhar ela algo que ninguém queria fazer porque é chato, dá trabalho e suja a cozinha, hoje se tornou algo com um quê de glorioso, embora ainda suje a cozinha.

Eu nunca fui uma apaixonada por cozinhar. Quando mais nova, ia para o fogão porque precisava ou, de vez em quando, porque tinha vontade. Minha mãe sempre cozinhou todos os dias, mais por obrigação do que por prazer. E, não raro, eu e minha irmã a ajudávamos. Então, minha relação com o cozinhar não tem nenhuma historinha bonita por trás, de lembranças da infância, de uma família onde a cozinha era o ponto de encontro.

Na semana passada, conversei com um chef e ele me disse que a ideia do novo cardápio que está lançando é emocionar as pessoas e despertar nelas a memória que a comida pode evocar. Fiquei imaginando que seu eu fosse comer no restaurante dele, esse plano seria furado porque não consegui encontrar nenhuma comida que me traga memórias afetivas. A não ser o doce de goiaba em calda do Carnaval.

No começo do ano, quando as goiabeiras que se espalham pela cidade estão frutificando, começo a sentir cheiro de goiaba na rua e logo me lembro do doce de goiaba em calda que minha fazia todos os anos. Os potes com o doce feito com a goiaba que vinha da fazenda do meu tio enchiam a geladeira em uma época que coincidia com o Carnaval. Talvez por isso eu saiba que as goiabeiras frutificam entre fevereiro e março. Naquela época, eu era uma rata de baile de Carnaval: cinco noites, três matinês e dois dias descendo a avenida com o Morsa’s Clube, um dos blocos “da” Franca. Mas não era como os de hoje. Usando a camiseta do bloco, a gente descia a avenida Presidente Vargas atrás do Trio Elétrico, antes dos desfiles das escolas de samba da cidade. Depois, ia uniformizada para o baile no clube. E lá pras seis horas da manhã, quando chegava em casa cheirando ao cigarro que a gente não tinha fumado e cansada de tanto dançar, abria a geladeira e comia o doce de goiaba em calda da minha mãe.

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