Desafio “Uma Meditação por Dia”
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Desafio “Uma Meditação por Dia”

Esse projeto é um desafio pessoal de meditação, no qual me lancei de cabeça, corpo e alma. Já tem mais de um ano que quero meditar com regularidade, mas sem sucesso. Foram inúmeras tentativas – sozinha ou com a ajuda de aplicativos – mas não conseguia colocar a meditação na rotina. Às vezes eu esquecia de fazer, outras vezes eu começava e parava no meio por causa da maldita ansiedade.

Mas, lá no fundo, sempre tinha uma voz me dizendo que conseguir meditar ia me ajudar a ter uma vida mais leve e tranquila, sem tantos sobressaltos, sem tantas ansiedades, sem essa mente de macaco que não para em lugar nenhum. Depois que li o livro O Cérebro de Buda, isso ficou mais claro. Leiam que vocês vão entender! O livro fala das questões da mente, e também de meditação, usando explicações da neurociência sobre o que acontece com o nosso cérebro. Desde então, estou sempre em busca de informações sobre isso.

Neste ano, resolvi colocar esse projeto em prática de qualquer forma. Foi assim que nasceu o desafio Uma Meditação por Dia, pelo qual compartilhei diariamente, durante 40 dias, no Instagram e no Facebook, as minhas experiências com a prática de meditação. Reuni todos os posts aqui. Eles mostram claramente como meditar é um processo difícil, mas muito recompensador. Recomendo pra todo mundo!

#dia1

Meditar com tosse e nariz entupido não é o melhor dos mundos. Mas como estou com sinusite, é o que tem pra hoje. Fiz os 10 minutos de meditação antes se dormir, depois das 23h. Sempre gosto de começar observando o ambiente, ouvindo os sons ao redor. Fiz isso, respirei e, apesar da sinusite e da tosse, dormi. Devo ter dormido uns 6 minutos. O suficiente pra eu acordar achando que já era o dia seguinte. Pena que acordei com a tosse, não com o som gostosinho que coloco no celular pra finalizar a meditação. Espero amanhã estar menos congestionada.

 

#dia2

De novo fui meditar à noite. Mas dessa vez meditei sentada, com a postura ereta e de pijama. Como ainda estou com sinusite e com uma tosse seca e chata, a meditação não foi nada agradável. É difícil ficar relaxada sem respirar direito e com uma tosse o tempo todo te rondando. Mas o meu desafio é justamente meditar todos os dias, independentemente das dificuldades. Os primeiros minutos foram mais difíceis, mente agitada, pensamentos vindo sem parar, inclusive o pensamento de que a tosse e a sinusite iam me atrapalhar no desafio… Mas depois de um tempinho a mente relaxou um pouco, a respiração não ficou boa por causa das minhas condições fisiológicas, mas ainda assim os últimos minutos foram mais fluidos, com certa leveza na consciência. Quando o sino tocou, nem parecia que havia ficado 10 minutos meditando.

#dia3

Em três dias, meu desafio de meditação teve um grande obstáculo: fiquei um dia sem meditar. No sábado, dia 10, não consegui. Posso elencar todas as coisas que fiz aqui para me desculpar (comigo mesma), mas acho que não é o caso. Daria para ter parado por 10 minutos e meditado. Mas simplesmente não consegui, não me organizei, me atrapalhei, fui consumida pelos afazeres. Acontece. Hoje, consegui. E consegui da forma que considero quase perfeita. Acendi uma vela, fiquei em um clima mais tranquilo e consegui fazer os 10 minutos de meditação. A sinusite melhorou bastante, o que também ajuda a ficar mais fácil. Afinal, meditar é respirar. Bom, pelo menos esse é o meu jeito.
Não tenho a menor dúvida de que ter um clima favorável ajuda e facilita. Sim, o ambiente externo influencia na nossa concentração e disposição. Então, a meditação de hoje foi mais fluida. Mas é curioso como a nossa mente não para. Parece contraditório, mas parar para prestar atenção na gente, na mente e na respiração nos faz notar o quanto estamos o tempo todo pensando no que vamos fazer, no que aconteceu, no que é aquele barulho, e por aí vai. Essa foi a minha sensação de hoje: de que em apenas 10 minutos nossa mente vive um dia inteiro.

#dia4

Depois de 20 dias com a vida em sobressalto, cheia de mudanças e muitas coisas acontecendo, estava ansiosa pela volta à rotina nesta segunda-feira. Acordei, fui correr, voltei, tomei banho, fritei uma kafta para colocar na marmita e resolvi fazer os 10 minutos de meditação do dia. Normalmente eu faria isso assim que chegasse da corrida, mas hoje acabei invertendo a lógica. A respiração já está bem melhor com o fim da sinusite e isso ajuda muito. Mas a sala estava cheirando a kafta. Não que o cheiro seja ruim, mas ficou me incomodando um pouco. Quando falamos em meditar, automaticamente somos levados para um lugar claro, silencioso, com um perfume leve e fresco. E não a uma sala bagunçada, com dois gatos embaixo do cobertor, um tênis jogado no chão e cheiro de fritura no ar. Mas essa é a vida real. Pelo menos, essa é a minha vida real. E é o jeito que estou conseguindo, aos poucos, incluir esse hábito tão saudável na minha vida. Porque se eu for esperar o cenário perfeito, ele nunca vai chegar. E apesar do cheiro de kafta, consegui ficar os meus 10 minutos parada, respirando e me concentrando no agora. E essa questão do agora ficou bem clara hoje. Nos primeiros minutos eu estava com a mente agitada, incomodada com o cheiro, pensando em tudo que tinha pra fazer, inclusive nesse post. Mas, aos poucos, fui me concentrando, prestando atenção nos sons ao redor, coloquei o meu foco na região entre os olhos (essa é uma técnica que funciona muito para voltarmos ao presente) e o cheiro deixou de me incomodar, os gatos estavam quietos e a mente se acalmou. Não abri os olhos pra consultar o relógio, mas acho que essa calma maior veio nos 3 ou 4 minutos finais. Talvez seja hora de ampliar essa meditação por alguns minutos…

 

#dia5

Quando o clima perfeito não é perfeito
Choveu o dia todo em São Paulo. Ficou um dia triste, melancólico e frio. Ainda assim, acordei às 6h para, depois de 20 dias, voltar aos treinos funcionais no parque. Fiz a parte mais difícil, que é levantar da cama e trocar de roupa. Estava descendo a escada para tomar café quando começou a chover forte. Mas forte mesmo. Como vou a pé até o parque e estou saindo de uma sinusite, decidi ficar em casa para evitar piorar e ter que começar o tratamento todo de novo. Acordada e vestida, resolvi aproveitar para meditar logo cedo, com a casa silenciosa e o barulho da chuva lá fora. Cenário perfeito, certo? Bem, mais ou menos.
Como ainda estava bem cedo, resolvi aumentar o tempo de prática para 15 minutos (normalmente, faço 10 minutos). Sentei confortavelmente no sofá, os gatos se aconchegaram nas minhas pernas sem incomodar, coloquei o cronômetro pra rodar, fechei os olhos e a concentração não veio. A mente é realmente um bichinho difícil de domar. Não sei se pela frustração de não ter ido treinar, fiquei vagueando de galho em galho, pensando no treino, na chuva que parava e voltava, no frio, na sinusite, se seria melhor chegar mais cedo no trabalho…
Meditar é um exercício de foco no presente. Então, eu sempre tentava voltar minha atenção para aquele momento, o sofá e os gatos nas minhas pernas entre um pensamento e outro. Só que hoje isso não funcionou muito bem, apesar de o clima estar, aparentemente, perfeito.

#dia6

 Não importa muito onde você está, mas como você está
Quando a fase é ruim, é ruim pra valer… Ontem à noite dei uma daquelas topadas doídas no pé da cadeira. Hoje de manhã, o dedinho estava inchado e dolorido. Ainda assim, caminhei até o parque. Como não dava pra correr e nem pra andar muito, resolvi meditar por lá mesmo. O verde, o som da natureza, dos pássaros e do vento parecem compor um bom cenário para uma prática de meditação. Bom, por causa da chuva de ontem, o banco estava molhado. Precisei colocar o casaco por baixo para ficar um pouco mais confortável. Olhei ao redor, vi que o céu azul estava querendo aparecer, ouvi as pessoas caminhando e correndo na pista de atletismo, liguei o cronômetro, fechei os olhos e foquei nos sons. As maritacas e alguns bem-te-vis estavam em polvorosa. O vento era gelado e aquele banco não é lá muito confortável. Foquei na respiração. Mas, apesar de estar no parque, em meio ao verde, em um ambiente de quase silêncio, foi difícil me concentrar no presente. Os pensamentos são muito rápidos e vêm o tempo todo, como um tsunami. Talvez tenha um pouco a ver com a fase que estou vivendo, de luto e muitas incertezas, mas acho que também tem muito a ver com a ansiedade que eu tanto quero domar. O curioso é que me propus este desafio pra conseguir incluir a meditação no meu dia a dia e, também, refletir um pouco sobre essa prática. Mas, de certa forma, o fato de ter o compromisso de relatar como foi a prática do dia também me deixa ansiosa. Um dos pensamentos que me vem naqueles 10 minutos é, justamente, o que vou falar sobre a meditação. Muito louco isso, né? Nossa mente é absolutamente dominadora. Mas eu confio que a regularidade vai trazer mais tranquilidade, menos ansiedade e um maior poder meu sobre ela, a mente. Afinal, esse é o objetivo. Quando abri os olhos, o céu não estava azul, mas havia uma névoa encobrindo boa parte do cenário.

#dia7

Aceitação
Furei o desafio por 2 dias, quando simplesmente não consegui meditar. Foram dias intensos, mas acho que isso não é desculpa. Então, resolvi aceitar que simplesmente não consegui por pura falta de organização da minha parte. Faz parte do jogo. Hoje, consegui retomar a prática diária. E meditei usando alguns pontos da técnica que está no livro “Quando tudo se desfaz – Orientações para tempos difíceis”, de Pema Chödrön. Ela ensina a aceitar os pensamentos colocando neles o rótulo “pensando”. Isso significa dizer a si mesmo “pensando” sempre que eles, os pensamentos, vierem e, em seguida, deixá-los passar. Pra retomar a concentração, vale ter um foco pra onde retornar a mente. Escolhi a respiração. E, mais uma vez, fiquei surpresa com a quantidade de pensamentos que me vem o tempo todo. Às vezes eles são tão rápidos que nem me dou conta de que vieram. E, nessa hora, a mente simplesmente se perde, vai pra longe, me faz reviver o passado e planejar o futuro. Até esqueço onde estou.
Nesse mesmo livro em que li a técnica, há uma série de observações interessantes sobre a meditação que dizem muito sobre o que tenho sentido neste desafio. O que mais me toca é justamente a ideia de que meditar é ver claramente o que estamos pensando ou sentindo. É um exercício de aceitação, até porque a meditação não faz a gente parar de pensar, se preocupar ou ter sentimentos desagradáveis, mas nos ajuda – com o tempo e a persistência -, a lidar de uma forma mais leve e gentil com os pensamentos e os sentimentos (bons e ruins). Diz um trecho do livro: “Devemos reconhecer tudo que surge sem julgamentos, permitindo que os pensamentos simplesmente se dissolvam, e voltar para a abertura do momento presente. É exatamente isso que fazemos na meditação, Os pensamentos surgem e nós, em vez de reprimi-los ou ficar obcecados por eles, reconhecemos sua existência e deixamos que se dissipem. Então, voltamos a estar simplesmente ali. Depois de algum tempo, passamos a nos relacionar dessa forma com o medo e a esperança em nossa vida cotidiana. Sem saber como, paramos de lutar e relaxamos. Interrompemos nosso diálogo interior e voltamos ao frescor do momento presente”.

#dia8

Esforço
Depois da prática de hoje, fiquei pensando no quanto a meditação requer esforço. Não digo isso pendendo para o lado de que é ruim esforçar-se para meditar. Mas é curioso como algo que nos faz tanto bem exige tanto da gente. Talvez eu esteja errando em me esforçar tanto, já que todas as orientações sobre meditação dizem que precisamos simplesmente relaxar naquele momento e aceitar o que está acontecendo, aceitar os pensamentos e as emoções que vêm e vão. Mas isso, pelo menos pra mim, não é nada fácil. Sim, sou uma pessoa um tanto quanto controladora e, claro, quero controlar os meus pensamentos. Só que ao parar para meditar por 10 ou 15 minutos, ter esse controle exige um esforço gigantesco porque os pensamentos não param e aqueles 10 minutos podem facilmente virar um inferno. A ideia da meditação é justamente nos fazer lidar melhor com esses pensamentos, aceitando-os e entendendo-os como parte da vida, mas não como protagonistas. E o esforço da prática é para pararmos de deixar os pensamentos no passado e no futuro dominarem a nossa vida. Eles devem ocupar o espaço necessário, que cabe a eles, e não o nosso tempo todo. Dizem que é a prática diária que faz com que a gente consiga chegar à mente meditativa, aquela que aceita os pensamentos, sentimentos e a impermanência da vida. Por isso tenho me esforçado para meditar todos os dias até que isso se torne algo tão natural quanto escovar os dentes.

#dia9

Meditação guiada
Hoje eu resolvi experimentar uma meditação guiada. Já fiz isso algumas vezes na vida, mas dentro do desafio foi a primeira vez. O bom da meditação guiada é que o simples fato de prestar atenção nas orientações de uma voz nos traz para o momento presente e ajuda a manter a concentração. Fica mais difícil se dispersar e mais fácil se concentrar. Fiz uma prática guiada de 10 minutos, pra manter o tempo ao qual estou acostumada. Escolhi aleatoriamente, no Youtube, o meu guia. Não posso dizer que consegui me entregar completamente, relaxar no momento presente, como se diz. Embora tenha sido mais fácil me concentrar e ficar focada naquele momento, sinto que ainda faço um esforço enorme pra isso. E fiquei pensando que a meditação é uma atividade mental intensa e não um relaxamento. Talvez ela nos leve, com a prática regular, a encontrar um estado geral mais presente e, consequentemente, mais relaxado. Mas para mim, pelo menos nessa fase de iniciante, é preciso um grande esforço na busca por essa presença.

 

#dia10 e #dia11 

O desafio
No #dia9 resolvi praticar uma meditação guiada. E gostei de ter esse suporte na prática diária. Foi quando encontrei o canal @yogaparavoce , que acabou de lançar uma maratona de 30 dias de meditação. Então, me propus um desafio dentro do desafio: encarar essa maratona. Nesses dois dias de prática guiada dentro dessa proposta de 30 dias, senti que fiz uma meditação mais consciente. Isso me trouxe ânimo e, vejam só, a necessidade de criar uma rotina para incluir a prática no meu dia-a-dia como um hábito.
Ao final da meditação desta manhã, a guia fez uma reflexão sobre encontrar a paz e o silêncio internos. Ainda de olhos fechados, mas com a meditação encerrada, fiz uma pequena reflexão pessoal sobre isso. Porque, às vezes, a vida vira um caos, tudo sai do lugar e a gente e a gente se vê sem rumo. Mas, ao parar para meditar, por mais que os pensamentos sobre o problema apareçam, se a prática for feita com consciência e gentileza é possível encontrar a paz e o silêncio internos e levar os efeitos disso para o dia. É mágico perceber, ao encerrar a prática, a sensação de calma e bem-estar mesmo estando diante do caos. Isso não significa virar um monge, mas tentar encarar os acontecimentos a partir de um novo olhar. Não é fácil, sou obrigada a dizer. Mas vale a pena o esforço.
Esse desafio está sendo bem animador. E ter chegado a 11 dias meditando, também!
Namastê.

#dia12 e #dia13

Publicar uma reflexão a partir de dois dias de prática não é uma escolha preguiçosa. É o resultado de certa desorganização para parar e escrever. Mas o desafio não pode parar por causa disso, então, seguimos firmes por aqui. Continuo fazendo as meditações da Maratona de 30 dias da página Yoga para você. E nesses dois dias, a minha reflexão foi sobre o quanto a nossas emoções e sentimentos influenciam na prática. Porque ao buscar a meditação, quase sempre queremos ir de encontro a uma calma interna, a uma serenidade. E é um caminho árduo, que exige trabalho e disciplina. Como sempre carregamos conosco emoções e sentimentos, certamente elas influenciam a nossa prática, dependendo do dia. Quando estou muito ansiosa, por exemplo, percebo que levo mais tempo para chegar a um estado mais tranquilo. A mente fica mais agitada, é mais fácil divagar e se perder do presente. Se estou com raiva, não demoro tanto pra chegar a um estado de calma. Quando nossas emoções e sentimentos estão mais tranquilos, a prática flui com mais facilidade. Por isso tenho achado muito interessante fazer esse desafio, tentando incluir a meditação no meu dia independentemente do que aconteça. Notar essas sensações, perceber como nosso estado emocional influencia no dia-a-dia e, também, como parar por 10 minutos pode nos ajudar a mudar algumas percepções é um grande exercício. Recomendo!

#dia14

O fracasso?
Não consegui meditar hoje. Eu tentei. Sentei, apertei o play na meditação guiada, fechei os olhos e minha perna começou a doer, meus pés viraram uma pedra de gelo e eu simplesmente não consegui ficar ali com meus pensamentos, emoções e sensações. Fui tomada por uma inquietação que beirava o insuportável e, então, desisti. Abri os olhos, pausei o guia e comecei a escrever esse texto. É chato não conseguir meditar. Mas acho que é normal, ainda mais para quem está começando. Encerrar a prática de hoje antes do previsto não significa encerrar este desafio ou o propósito de meditar para sempre. Significa apenas que neste momento não deu, que hoje eu não consegui. Significa, também, que eu posso refletir sobre isso e, a partir de então, adotar outra postura diante de pequenos fracassos. Este episódio deixou bem claro pra mim o quanto eu não sou gentil comigo na maior parte do tempo. Porque desistir da prática de hoje veio cheio de culpa e de desculpas. Só que depois de refletir um pouco, entendi que foi um momento, que tem a ver com o que tenho vivido e sentido. E, ok, faz parte. Porque eu não estou desistindo do desafio, mas sim passando por ele, enfrentando o que vem. Então, até a prática de amanhã!

#dia15

A tal da calma
Os 10 minutos de meditação de hoje me deixaram com um gostinho de quero mais. Não, eu não atingi o Nirvana. Eu apenas tive uma sensação bem boa de calma nos minutos finais. Mais uma vez, fiz a meditação guiada da página Yoga para Você. E gostei muito da condução de hoje, que me levou a prestar atenção nos sentidos (audição, paladar, visão, tato e olfato). Em um determinado momento, foi pedido para observamos os pensamentos, olharmos pra ele como se assistíssemos a um filme, sem críticas e julgamentos. É como se estivéssemos do lado de fora, sentado confortavelmente em uma cadeira olhando o que passa na tela. O curioso é que,nessa hora, não vieram tantos pensamentos. E tive uma sensação boa de presença, de calma. No final, foi pedido para sentirmos o silêncio interno. Para mim, silêncio é algo muito importante. Embora eu fale demais e pense demais, sempre preciso ficar um pouco quieta. Então, fiquei alguns minutos pensando no que seria esse silêncio interno. E, certamente, no meu caso, é conseguir acalmar os pensamentos, deixá-los menos inquietantes. E, dessa vez, eu consegui. Não sei se tem a ver com a constância da meditação, ou com o fato de ter corrido 5K antes da prática, mas sei que foi uma sensação boa de calma e tranquilidade. Bora ver o que acontece amanhã!

#dia16

Estou na casa dos meus pais, no interior, desde terça-feira à noite. Vim de sopetão, depois de uma ligação da minha irmã, desesperada, dizendo que meu pai havia enfartado. Ele tem 77 anos, estava em casa sozinho. Ainda está na UTI. Se tudo correr bem, vai para o quarto hoje. Estou contando isso porque sempre falo que a vida não está fácil, mas sem dizer claramente o que acontece, fica difícil entender. 2017 está sendo um ano de provação. Minha avó foi internada por uma semana e está em casa, naquele processo de fim da vida; meu sogro faleceu há um mês depois de 3 dias na UTI; e, agora, meu pai. Há outras coisas acontecendo, mas não vou contar para não expor as outras pessoas. Tudo isso pra dizer que não está fácil parar e meditar. Nos últimos dois dias não consegui. Um pouco porque saí da rotina da minha casa, mas principalmente por causa da angústia. Esse sentimento é cruel, acaba comigo. Não consigo comer, pensar, fazer nada. Já aprendi que isso faz parte de muitos momentos da vida e que a gente precisa aprender a lidar com ele. Estou lidando como posso, refletindo sobre tudo isso e tentando me manter no centro. Não está fácil, mas penso que cada dia que passa é um dia a menos na companhia do problema. Hoje vou tentar meditar.

#dia17

Está certo ou errado?
Estou há uma semana sem meditar. No meio da confusão que contei no post anterior, até tentei encontrar um espaço na minha mente para a prática, mas não consegui. E isso tem me irritado bastante. Quero que a meditação seja uma prática diária, uma rotina. Mas sempre que minha rotina se altera drasticamente (o que tem acontecido com certa frequência), acabo não meditando. E desta vez não foi diferente. Hoje, já em casa, depois de viajar por 6 horas, consegui parar por 10 minutos para uma prática. Mas não foi uma prática que eu considere boa. Estava tensa e angustiada, o que já deixou tudo mais difícil. A busca pela presença, a tentativa de concentração, o foco na respiração, nada disso conseguiu me fazer relaxar. Será que ando fazendo algo de errado, ou isso faz parte do processo?

#dia18

Como levar a prática para o dia-a-dia?
Depois de 18 dias de meditação, chegou a hora de ampliar o tempo de prática, de enfrentar mais momentos de silêncio e de investir na disciplina e na rotina. A partir de amanhã, vou tentar meditar todos os dias de manhã, durante 15 minutos. Sei que às vezes não vai dar e, nesses dias, farei a prática quando for possível. Mas sinto que preciso me impor um pouco mais de disciplina nessa jornada e entender de que forma, afinal, o estado de calma e concentração que, já sei, é possível chegar após algum tempo de meditação, pode ser levado para o dia-a-dia na prática, ou seja, na hora em que a ansiedade chega com força, no momento em que recebemos uma notícia ruim, quando batemos o carro ou brigamos com alguém. Estou em busca, afinal, de uma mente mais focada e capaz de me deixar no agora, uma mente que me ajude a enfrentar a vida de uma forma mais leve.

#dia19

Levar a sério é importante
Quando comecei este desafio, eu queria incluir a meditação na minha rotina de qualquer forma. Assumir o compromisso de dividir o que acontecia pelas redes sociais foi um jeito de me forçar a fazer isso mesmo quando eu estivesse sem vontade. Só que essa obrigação me trouxe um problema: durante as práticas, eu acabava pensando muito sobre o que iria escrever no post daquele dia, e isso me atrapalhava. Ainda assim, insisti. E a meditação guiada tem sido bem importante e eficiente neste momento. Hoje, 19 dias depois do início deste desafio, consegui fazer uma prática de 20 minutos em que não pensei no post (ou seja, no futuro…). Considero isto uma grande vitória. E acho que tem a ver com a minha persistência em meditar, mas também com a percepção de que era chegada a hora de levar a meditação mais a sério. Isso significou dar um jeito de colocar a prática na minha rotina matinal, quando sou mais organizada. Percebi que sem estabelecer uma rotina, deixando o dia correr para, em algum momento, encontrar 10 minutos e parar, a meditação iria se tornar algo a mais para fazer e não algo importante, que faz parte do meu dia e é tão essencial quanto escovar os dentes ou tomar banho. E a prática de hoje foi muito serena, o que me deixou bem feliz. Pela primeira vez consegui observar os meus pensamentos e perceber como são muitos e, tantas vezes, desnecessários. Pensamentos que me levam a momentos bem distantes do agora. Acredito que os tempos de silêncio durante a meditação guiada que fiz hoje foram bem importantes para esse resultado e ajudaram a me dar tempo para observar e ficar atenta ao que esses pensamentos significam. Não posso dizer que chegar a este ponto foi fácil. Como já disse em outro post, meditar é uma atividade mental intensa, principalmente neste começo. Mas cada vez mais acredito que vale a pena. Amanhã tem mais!

#dia20

Um pequeno balanço
São 20 dias meditando, do meu jeito, mas com persistência e foco. Hoje, novamente meditei com a ajuda de um guia. Comecei a usar o aplicativo Vivo Meditação, que é bem interessante e traz um guia claro e eficiente. E continuo focada na meditação de 20 minutos. Olhando para esses 20 dias, fico um pouco frustrada porque imaginava que, depois deste tempo, já seria uma meditadora mais eficiente, com menos dificuldades, que meditaria em qualquer lugar. Quanta inocência, né? Por outro lado, estou bem contente por já sentir a necessidade de meditar diariamente e, mais ainda, por conseguir perceber o quanto esses minutos de calma e concentração são importantes para o meu dia. Isso não significa que, agora, eu encaro os desafios e as tensões com a serenidade de um monge. Não há mágica nesse processo. Mas há treino, hábito. E o que sinto é que quando algum desafio aparece, consigo pensar que não preciso sair atropelando as coisas, que posso parar por alguns minutos, respirar fundo e, então, seguir em frente. Isso não tira de mim momentos de tristeza, angústia e desespero. E, sim, ainda há um longo caminho para aceitar que lidar com essas sensações faz parte da vida. Mas meditar ajuda a olhar para os pensamentos e as sensações com um pouco mais de distância, e a perceber quando há algo que pode ser feito imediatamente e quando o melhor é esperar.

#dia21

A importância de parar
Às vezes, quando falamos em meditação, nos preocupamos muito com regras. A postura tem que ser tal, a respiração precisa ser assim, não pode deitar, não pode se mexer, não pode abrir o olho. Como eu não sou uma especialista no tema, não estudei profundamente as técnicas meditativas e minha prática não está ligada a nenhuma religião, adotei a regra de não seguir muitas regras. O que eu busco é foco, calma, concentração. E acho que tenho conseguido. Então, se alguém me perguntar como faço para meditar, vou dizer que eu paro em uma posição confortável, fecho meus olhos, respiro profundamente e vou tentando ficar o mais concentrada possível na respiração. Claro que, hoje, 21 dias após o início deste desafio, eu já segui algumas meditações guiadas, já li sobre algumas técnicas e, muitas vezes, uso os ensinamentos que aprendi nessa jornada. Mas o que acho fundamental é entender a importância de parar. Ficar 5, 10, 15 ou 20 minutos parada, concentrada na respiração ou em algo que NÃO seja nossos pensamentos insanos faz muita diferença. Com o tempo e a prática, vai ficando mais claro na nossa mente aquilo que realmente importa, as coisas com as quais precisamos nos preocupar, o que podemos fazer diante de uma situação. Volto a insistir, como já fiz em outros posts, que se trata de um exercício mental intenso e que é preciso muita persistência porque, não raro, pensamos mesmo é em desistir.

#dia22

Sobre olhar as coisas boas dentro da gente
Olhar para as nossas qualidades e alegrias foi o desafio da prática de hoje. E achei imensamente difícil. Primeiro, eu identificava aquilo que considero um defeito. Depois, buscava o contraponto bom, a qualidade, e nem sempre me a encontrava. Não acredito que isto aconteça porque só tenho defeitos. Acho que tem mais a ver com um padrão mental desenvolvido ao longo da vida e potencializado pela tendência negativista do cérebro. Em certo momento, o guia disse para percebermos que próximo daquilo que temos de melhor nos sentimos seguros e o estresse vai embora. Não foi um exercício fácil. Mas quando foquei em certa bondade que acredito ter, uma capacidade de ajudar o outro quando posso, realmente me senti mais confiante e menos estressada. Só que ainda não sei bem como levar isto pra vida.
Meditar com o foco em encontrar coisas boas dentro de mim me trouxe uma lição sobre a meditação: ela pode ser um grande exercício de observação de nós mesmos. Mesmo que seja desconfortável, a meditação realmente nos aproxima da nossa essência. E é um exercício bem louco observarmos como expectadores nosso próprio jeito de viver e de pensar. Autoconhecimento e aceitação vêm junto com esse processo. E faz um bem danado pra gente!

#dia23

Um dia não muito bom
É domingo. Acordei, meditei durante 20 minutos usando o app Vivo Meditação e fui para o meu dia. A prática de hoje falava sobre vitória e orientava a trazer as boas sensações e energia de momentos de vitória pessoal para a meditação e para o dia. Pensar em vitórias pessoais não foi difícil. Consigo me lembrar de momentos nos quais me senti plenamente realizada e vitoriosa. Mas não consegui trazer essa energia para o momento atual. Tentei me inundar pela boa sensação e fazer isso virar energia para o dia, mas não funcionou. Na verdade, nem tenho muito a dizer sobre a prática de hoje. Mas há algo que merece ser dito e, acho, tem a ver com a regularidade da prática: apesar da “bad” deste domingo, não me senti desesperada, nervosa ou estressada. Estava simplesmente um pouco triste, sem muita energia, e entendi que isso faz parte do momento em que estou vivendo e da vida em si, e que não adianta forçar muito a barra para estar de outro jeito. Vai passar. Como tudo.

 

#dia24 

A tal da meditação guiada
Tenho usado aplicativos de meditação com frequência. Na última semana, meditei com o app Vivo Meditação e gostei bastante. Mas hoje, enquanto fazia uma prática chamada de Ciclos e Serenidade, fiquei incomodada. A meditação guiada é boa porque nos ajuda no foco e atenção. Para quem não tem prática, é uma forma de apresentar técnicas que ajudam na meditação. Só que hoje, achei que a meditação guiada mais me atrapalhou do que ajudou. Talvez eu estivesse precisando de um pouco de silêncio, de ficar apenas parada respirando e prestando atenção no momento. E a prática guiada de hoje estava centrada em levar os meditadores a uma viagem pelos ciclos da vida, pela impermanência, o que me fez refletir muito. Talvez o problema esteja aí. Eu não queria refletir, queria apenas meditar.

#dia25 

E eu dormi na meditação
Depois de mais de uma semana meditando com a ajuda de um guia, resolvi meditar sozinha. Só que hoje a meditação foi à noite, depois do jantar. Liguei o cronômetro, foquei na respiração e comecei. Em algum momento eu dormi. Curioso que eu percebia que estava pegando no sono e resistia. Mas não rolou meditação. Amanhã tem mais

 

#dia26

“Voltando a estaca zero?”
Esse título é uma provocação a mim mesma. Eu vinha em um bom ritmo na meditação diária, conseguindo concentração, relaxamento e, principalmente, me colocar na posição de observadora dos meus pensamentos. Mas, há 3 dias, minhas práticas têm sido bem estranhas, lembrando o começo deste desafio, que está bem perto de completar 30 dias. Estou sem concentração, deixando os pensamentos tomarem a minha mente durante a meditação, perdendo a concentração facilmente. Hoje, inclusive, interrompi a meditação 3 minutos antes do prazo que eu havia estipulado porque, simplesmente, estava longe, bem longe do agora. Não sei dizer exatamente porque isso está acontecendo, mas levando em conta o momento que estou vivendo, acredito que tenha a ver com as mudanças na minha rotina, a saída do trabalho, as apreensões todas que vêm com essas mudanças. Minha sensação é um misto de medo e liberdade, que ajudam a aumentar a ansiedade e fazer com que, facilmente, eu me perca pensando no futuro.

 

#dia27 

“O silêncio e a observação”
Hoje eu meditei no parque, sentada sob um sol bem gostoso. Cenário perfeito, né? Bem, me programei para 20 minutos, mas, já vou admitir, só consegui meditar por 13 minutos. Parei antes do que seria o fim. A prática de hoje foi uma daquelas bem confusas, em que se alternam momentos de concentração com outros de mente muito agitada. Confesso que fiquei um pouco frustrada, afinal, com 26 dias de meditação diária eu já queria estar mais “meditadora” 🙄 Por outro lado, fiquei de contente de conseguir observar de forma bem clara a agitação da mente. A quantidade de pensamentos que tive naqueles 13 minutos, todos centrados no futuro, nos problemas e nos possíveis desdobramentos destes problemas. Enquanto isso, havia muitos pássaros cantando a minha volta e um silêncio que me fazia pensar que eu devia parar com aquela agitação mental toda. Conseguir observar a si mesmo é um dos benefícios da meditação. Porque a partir desta observação é que podemos mudar atitudes. Então, mesmo que a prática não tenha sido o que parece ideal, ela trouxe um grande aprendizado.

 

#dia28

A reflexão
A meditação de hoje não foi perfeita. Demorei a me concentrar e, de novo, cochilei em algum momento. Mas, embora eu tenha falado aí em cima da falta de perfeição, tenho plena consciência de que ela não existe. Então, pra que buscá-la? Hoje, pela primeira vez desde o começo deste desafio, meditei com uma música de fundo. Acho que me ajudou a entrar em um clima mais tranquilo. Depois da respiração, era na música que colocava o meu foco. Não tenho muito o que dizer sobre a prática de hoje, apenas que continuo insistindo nos 20 minutos e que meditar já está se tornando uma necessidade.

 

#dia29#dia30 e #dia31

Uau, são 30 dias meditando. Às vezes nem eu acredito que estou conseguindo incluir esta prática na minha vida. Nestes últimos 3 dias eu meditei, mas não consegui parar para escrever. Tive uma mudança de rotina bem grande, já que saí do lugar onde trabalhava, e acho normal as atividades do cotidiano terem saído um pouco do prumo. Por outro lado, acho que a meditação deveria ser algo superior, que estivesse na minha rotina apesar de tudo. Mas, algo que já aprendi, é a aceitar algumas coisas. E sei que com persistência a prática vai se tornar cada vez mais natural, mesmo nos momentos mais confusos. Também aprendi que meditação não tem nada a ver com algo transcendental, que magicamente muda a vida e a rotina da gente. É, na verdade, um grande exercício, uma prática benéfica, mas que exige disciplina e está bem longe de de nos transformar em pessoas absolutamente zen do dia para a noite. O benefício vem com o tempo e depende totalmente da nossa vontade, persistência e disciplina. Como tudo na vida.

#dia32

Surpresa
Hoje fiz uma meditação guiada chamada Surpresas Positivas. O caminho era refletir sobre as boas surpresas que já tivemos na vida e sermos inundados por aquela sensação gostosa que tivemos naqueles momentos. Eu não me lembro de grandes surpresas positivas. Mas consegui pensar em algumas e fazer a prática. Só que é engraçado como é difícil pra mim trazer sensações boas com essas práticas em que a gente se lembra ou imagina algo. Não funciona. Hoje, por exemplo, meditei no meu jardim. E o que mais ficou dessa prática não foi nenhuma surpresa boa, mas sim um cheiro forte de mato que senti por alguns segundos. Isso me inundou de tranquilidade.

#dia33

Clareza de pensamentos
Hoje fiz uma meditação muito simples, de 10 minutos, concentrada na respiração e observando os pensamentos. Observar os pensamentos, aliás, é uma dos grandes benefícios da prática meditativa. Parece banal, mas é incrivelmente esclarecedor perceber com quais pensamentos gastamos nossa energia. Ainda acho um exercício difícil, mas, cada vez mais, acho um exercício eficiente. Colocar-se em uma posição de observar a si mesmo sem julgamentos é absolutamente libertador. Hoje, por exemplo, ficou muito claro pra mim que preciso tomar uma decisão para seguir em frente em um aspecto da minha vida. A meditação não vai decidir por mim, nem vai me apresentar, em um passe de mágica, a solução de que preciso. Mas, certamente, vai me ajudar a enxergar com mais clareza os prós e contras e, por que não, me ajudar a ter a coragem necessária de tomar a decisão e arcar com as consequências.

#dia34

Exercício
Meditar já se tornou mais natural pra mim. Embora eu ainda não tenha conseguido estipular um horário fixo para meditar (e nem sei se isso é necessário), tenho conseguido praticar quase todos os dias. E também já sei o que faz com que eu tenha mais facilidade ou dificuldade na prática, de que forma meus sentimentos e pensamentos afetam a meditação. Acho que se trata de um efeito benéfico da prática constante. Conseguir olhar para a própria meditação de forma consciente, sem devaneios, sem achar que se trata de uma fórmula mágica pra se chegar a uma vida mais plena é um grande avanço. Uma vitória.

#dia35

“A posição, o flow e a interrupção”
Sentei para meditar às 7h30, um horário bem propício, silencioso, calmo. Escolhi o chão da sala. Coloquei uma almofada nas costas, apoiada no sofá, e fiquei com as pernas esticadas e uma manta sobre elas. A posição da meditação é muito importante e, pra mim, tem que ser confortável. Ficar incomodada, com dor ou caimbra só atrapalha. Programei o timer para tocar em 15 minutos, fechei os olhos, fiz uma respiração profunda e comecei. Inspira, expira, inspira, expira. O coração estava acelerado. Então, comecei a contar cada expiração: 1, 2, 3,4…até 10. E a contar de trás para frente: 10, 9, 8, 7… Não sei até qual número cheguei, mas o coração desacelerou e eu já me sentia em um flow gostoso, mais leve, com uma sensação de que poderia ficar horas ali. Só que ouvi um barulho no portão e me assustei. Em um primeiro momento, continuei no mesmo lugar. Mas, rapidamente, achei melhor levantar e olhar pela janela. Podia ser alguém tentando entrar na casa do vizinho. Mas era só o vizinho saindo. Voltei pra meditação, mas meu estado já tinha mudado. Tentei respirar de novo, recuperar a calma, mas perdi completamente o foco. A mente descarrilou em pensamentos e ansiedade e não consegui trazê-la de volta. Desliguei o cronômetro, aceitei o que aconteceu e segui o dia. Faz parte do processo. Não será a primeira nem a última vez que isso acontece.

#dia36

“A meditação da bondade amorosa”
Acabei ontem de ler o livro 10% Mais Feliz, do jornalista Dan Harris, em que ele conta como a meditação o ajudou a superar uma síndrome do pânico, problemas com drogas e uma relação doentia com o trabalho. Recomendo. Há muitos insights neste livro, principalmente para quem acha que a meditação é coisa de hippie, tem a ver com magia ou assuntos transcendentais. Dan consegue contextualizar a eficiência da meditação na rotina de quem tem uma vida absolutamente agitada, vive na cidade grande, viaja muito e trabalha em um ambiente estressante. Todo esse preâmbulo para dizer que foi neste livro que tive contato, pela primeira vez, com a meditação metta, ou meditação da bondade amorosa. Resolvi experimentar. É uma técnica que ajuda a aumentar a nossa capacidade de compaixão. A ideia é visualizar uma série de pessoas e enviar a elas, uma a uma, nossos desejos de coisas boas. E, vejam só, a primeira pessoa da lista deve ser a gente mesmo. Eu fiz a prática, dizendo mentalmente frases de boas vibrações para algumas pessoas. Mas, tenho que confessar, não senti nada de diferente, não senti uma luz saindo do meu peito e indo até elas e nem me senti melhor ou mais feliz depois disso. Foi como se eu tivesse feito algo banal, do dia-a-dia. Bem, no livro Dan também conta que teve dificuldade em sentir profundamente essa meditação na primeira vez e que, na verdade, não se deu muito bem com ela. Mas ele diz, também, que o importante é tentar. Então, em breve farei novamente.

#dia37

“O poder da observação”
É domingo. Meditei pela manhã, antes de tomar café, sem guia, no silêncio, contando cada respiração. Muitos pensamentos me vieram à mente, a maioria deles no futuro. Mas hoje eu fiz um pacto comigo mesma de aceitar o que vinha na meditação, sem resistir. E simplesmente aceitei essa enxurrada de pensamentos e pude observar com clareza o que acontece na minha mente e como ela é poderosa e facilmente me tira do presente e me leva para lugares onde nem sei se um dia estarei. Quando terminou a meditação, estava me sentindo tranquila, afinal, ter consciência do que acontece com a gente é o primeiro passo para encontrar um caminho mais leve, para ter mais força e uma vida mais feliz.

#dia38

“Monotonia e o que faz bem”
Quando terminei a meditação de hoje, me lembrei de um trecho do livro “Quando tudo se desfaz”, de Pema Chodron, no qual ela diz que, com o tempo, a meditação se torna algo comum. “Encontramos um tempo todos os dias e sentamos em nossa própria companhia. Voltamos à respiração continuamente, atravessamos o tédio, a irritação, o medo e o bem-estar. Essa perseverança e repetição – quando contém honestidade, leveza e humor – são a própria recompensa”. Foi isso que percebi hoje. Tive uma prática comum e, no final, estava apenas me sentindo bem. Não raro, meditar é monótono, mas ainda assim é bom. E não digo bom no sentido de gostoso, mas sim no sentido de fazer bem, mesmo que seja chato e tedioso.

#dia39, #dia40 e#dia41 

“Imaginação”
Nos últimos dias, meditei usando um app de guia. Resolvi fazer uma assinatura para ter acesso a meditações mais completas e profundas. Mas já cancelei. As 3 primeiras que fiz usam o recurso da imaginação, de você se imaginar no topo de uma montanha, flutuando sobre o mundo, ou com uma luz invadindo seu corpo. Eu simplesmente tenho enorme dificuldade de entrar nesse mundo da imaginação. Talvez eu tenha raízes profundas demais fincadas nesse mundo, seja pragmática ao extremo. Sei que todas as vezes que tentei me entregar à imaginação, não rolou. Talvez eu devesse tentar mais, pra superar isso, mas achei que estava jogando dinheiro fora e por isso cancelei o plano. Volto amanhã com minhas meditações de respiração, que funcionam tão bem .

#dia42

“Pensar ou não pensar?”
Meditar não é refletir. É parar, se concentrar, observar, aceitar. Mas, na prática de hoje, eu só consegui pensar. Talvez eu não possa considera-la uma meditação, mas foi um momento bom, de olhar pra alguns sentimentos, acolhe-los e aceita-los. Encerrei a prática contente por ter feito essa pausa de 15 minutos, na qual minha mente funcionou a todo vapor, mas, ao final, me trouxe um pouco de serenidade.

#dia43

“Confissão”
Quando comecei esse desafio, queria, lá no fundo, uma solução mágica para a ansiedade e o medo. Imaginava que me tornaria uma pessoa “elevada”, daquelas que transmitem paz e serenidade só de chegar perto dos outros. Mas aprendi que a caminhada da meditação é árdua e exige persistência, que as mudanças são sutis e percebidas pouco a pouco, nas pequenas coisas do nosso dia a dia. A meditação é uma poderosa ferramenta de observação e de aceitação. Não vai ser um OM que vai fazer as coisas acontecerem de um jeito diferente, mas sim o que a gente vai fazer com o que esse OM nos ensinou.

#dia44

Hoje meditei usando o app @appwemind. Há cerca de uma semana, venho tendo dificuldade para meditar. Tenho preguiça e simplesmente não consigo parar por alguns minutos. Não sei dizer porque isso acontece. Daí resolvi experimentar esse app. Ele tem um ciclo inicial de meditação, que dura sete dias. Me senti dando um passo para trás, é verdade. A essa altura, quase dois meses meditando, imaginei que já estaria em um estágio mais avançado. Mas não sei se esse processo é assim tão linear. A primeira meditação do ciclo é bem rápida, menos de cinco minutos, como se fosse uma introdução ao assunto. Eu já conhecia esse processo, mas foi como parar e recomeçar. E no fim me senti com novo fôlego e ânimo para continuar insistindo com as meditações. É, às vezes é bom recomeçar.

#dia45

“É esquisito manter a calma”
Hoje, quando minha irmã me ligou dizendo que meu pai está com princípio de pneumonia, permaneci estranhamente calma. Ele, que não é de ficar doente, já teve 3 piripaques neste ano 😱Não sei o que aconteceu comigo. Mas tenho quase certeza de que a meditação diária está por trás dessa reação. Não me desesperei e isso é uma novidade pra mim. Fico preocupada, claro, mas é estranho não entrar em crise de ansiedade, ficar pensando nas maiores tragédias. Pensei um pouco no “e se o antibiótico não fizer efeito?”, “e se ele piorar?”. Mas logo voltei a tocar o meu dia. Só que fiquei um pouco irritada em estar calma. Senti um pouco de culpa, como se ficar nervosa e desesperada fosse a garantia de que me preocupo com ele. Ficar calma diante de um problema me dá a sensação de que estou sendo displicente. Olha que loucura!

 

 

 

 

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