A mágica da observação
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A mágica da observação

Há duas semanas, depois do treinamento que faço no parque duas vezes por semana, parte da turma se juntou e foi até a padaria tomar café. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, mas foi a primeira vez em que notei o maior benefício da meditação: o poder de observação. Naquele dia, eu ouvi mais do que falei e não interferi (ou interferi muito pouco) no que os outros diziam, nem me coloquei no centro da conversa, dando a minha opinião a cada assunto abordado. Sim, eu fazia isso com frequência, instintivamente, sem pensar. Não me orgulho disso, mas preciso admitir, sem vergonha ou autopiedade.

Naquele dia, fui embora pra casa feliz com a minha capacidade de ouvir, e mais feliz ainda com a minha capacidade de me observar. E, embora eu não tenha como provar, atribuo esse poder de observação à prática regular da meditação. Ao se auto-observar durante as práticas, a gente percebe a quantidade de coisas que acontecem na nossa mente, além de sensações físicas (às vezes, meditar é incômodo) e emoções. É como se assistíssemos, de camarote, a nossa própria vida. Com o tempo, esse poder passa a fazer parte do nosso repertório diário, dos padrões que adotamos na vida, e traz inúmeros benefícios à nossa rotina.

Observar, a si e aos outros, esperar, olhar com calma, estar aberto ao que o outro tem a mostrar é exercício. E não se trata de passividade, de aceitar calado, mas de propor um diálogo aberto, no qual primeiro você ouve, depois processa o que ouviu, e, então, fala. É um jeito de estar focado, de estar presente, de usar o silêncio a nosso favor. É responder em vez de reagir.

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