Um cinema na quinta-feira à tarde
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Um cinema na quinta-feira à tarde

Se você está em um emprego formal, com horário de entrada e saída, é bem provável que a  sua rotina  gire em torno dos compromissos deste trabalho, sem muitas brechas para movimentos diferentes, escapadas ou mudanças.

Mas e quando você não tem mais o emprego formal para ditar a rotina? Daí você pode ir ao cinema em uma quinta-feira à tarde, sozinha, sem avisar a ninguém, sem se preocupar.

Foi o que fiz na semana passada, já que estou sem emprego formal há pouco mais de 20 dias. Estava em casa como um cachorro que corre em volta do próprio rabo, indo de um site a outro, de um cômodo a outro, fazendo pequenas tarefas pela metade e tentando planejar algo sem conseguir, quando resolvi ir ao cinema, coisa que não fazia há anos. Fiquei bem receosa, é verdade. Veio aquela sensação de vagabundagem, afinal, pessoas sérias e trabalhadoras não fazem isso. Por outro lado, eu queria ver o filme e achava que relaxar, olhar pra telona, sair de casa em um horário fora do comum para os meus padrões poderia ser inspirador nessa fase da vida, me ajudar a ver as coisas por outra perspectiva, me ajudar a desopilar a cabeça, abrir a mente e, quem sabe, colocar algumas ideias no lugar.

Então, mesmo com receio de como eu me sentiria e de como as pessoas que soubessem disso veriam a situação, fui. E foi uma ótima decisão. Dentro da minha realidade e dos meus padrões, sair em uma quinta-feira à tarde para ir ao cinema é uma pequena transgressão, um ato de quase rebeldia. Sei que parece bobagem, mas estes pequenos atos, nesta fase de transição, são reveladores dos padrões que carregamos, da forma como enxergamos as coisas por um único ângulo, do jeito que encaramos o que a vida nos oferece. É um truque que nos ajuda a observar como nossa mente funciona. Pra mim, ficou claro como sou rígida. Sair de casa para pegar um cineminha despretensioso gerou uma onda de tensão e ansiedade. Fiz a mim mesma, antes de colocar os pés na rua, dezenas de questionamentos sobre se deveria ou não fazer isso. Já no caminho, continuei com os questionamentos, imaginei o que faria caso alguém me ligasse, pensei que poderia estar escrevendo um texto, apurando uma matéria ou montando um plano de negócios naquelas duas horas e meia que o passeio me tomaria.

Felizmente, consegui relaxar um pouco durante o filme, esquecer daquilo que PODERIA ESTAR fazendo e focar no que ESTAVA fazendo. Voltei para casa refletindo sobre como pode ser possível ter uma vida mais leve, com mais cineminhas sem culpa no meio da tarde. Ainda não descobri, mas acho que estou no caminho.

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