E quando você não sabe o que fazer?
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E quando você não sabe o que fazer?

Vocês já se viram na situação que dá título a esse texto? De não saber o que fazer? Não estou falando de não saber aonde ir no fim de semana, ou qual série do Netflix assistir primeiro. Estou falando de não saber o que fazer da vida, dos dias, da rotina. Eu estou nesta situação. Já li o livro da Cláudia Giudice, Vida sem crachá; estou lendo o do Adriano Silva, Dono do próprio nariz; e tenho lido sobre meditação, além de praticado diariamente, há mais de um mês. Também estou passando por um processo de coaching. Tudo isso pra tentar encontrar um caminho com sentido, que me faça feliz e me dê algum dinheiro. Ainda não cheguei a lugar algum, é verdade.

O que continua me movendo é uma sensação, talvez uma intuição, de que estou trilhando um caminho que vai dar em um bom lugar. Mas ninguém paga o supermercado, a conta de água e luz com intuição ou sensação. É preciso grana. E, no fundo, é isso que pega nesse momento de transição: e se faltar dinheiro?

É bonito falar em jornada, em aproveitar o caminho, em período sabático. Concordo com tudo isso. Mas, no final, sempre penso: e a grana? Não, eu não estou passando fome. Guardei algum dinheiro e ainda tem os benefícios que a gente recebe quando é demitido. Mas sei que do mesmo jeito que o dinheiro vem, ele vai. Não dá pra vacilar muito.

Estou falado sobre tudo isso porque, sim, eu estou perdida, sim, eu estou em transição, sim, eu tenho dinheiro pra viver sem trabalhar por um tempo, mas, ainda assim, tenho um medo danado de ficar parada (sem emprego ou sem empreender), investindo em mim – pessoal e profissionalmente – e, depois, perder o bonde do mundo do trabalho.

Quando deixei a redação no meu último dia, fiz um pacto comigo mesma de ficar uns 4 dias sem fazer nada, de boa, e depois já começar a tocar os meus projetos. Algumas pessoas me disseram pra viajar, tirar um período sabático, só que eu não queria perder tempo. Então, logo comecei a fazer contatos, marcar cafés e almoços, escrever para o blog, ir atrás de frilas, montar site para o meu projeto pessoal. Esperar não é comigo, já deve ter dado pra perceber. Porém, analisando esse período hoje, vejo que trabalhei no meu networking, mas que ainda não tenho foco. E um mês já se passou desde que disse adeus à empresa. A verdade é que eu poderia ter feito uma bela viagem nesse tempo, o que, talvez, tivesse sido mais proveitoso do que ficar gestando projetos que nem sei se serão definitivos.

Quando a gente não sabe o que fazer, de fato é bom parar antes de qualquer coisa. Mas é preciso recomeçar a andar em algum momento, mesmo que seja pra voltar atrás depois. Eu ainda não parei completamente, não tive essa coragem, não me dei esse tempo. Estou caminhando enquanto as coisas acontecem, tentando levar tudo junto e misturado. Tenho que dizer que não é fácil. A atenção fica muito dispersa e, nesse processo, muita energia se perde. Mas também preciso entender que é o caminho que consigo trilhar agora. Talvez não seja o melhor, mas é o possível. E assim eu sigo perdida, mas fazendo um monte de coisas.

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