Um dia
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Um dia

Saí de casa às 8h30. Fui pintar o cabelo. Sim, eu tenho cabelos brancos. Muitos. Bom, eu tenho 37 anos… Saí do salão e fui a uma reunião. A pé. No caminho, passando em frente a um desses prédios chiques, que têm 300 seguranças na porta da garagem, um deles queria que eu parasse para um carro sair. E eu não quis parar. Acho que estava errada. Pelo menos, meio errada. Não me custava nada esperar a pessoa sair. Mas também não custava nada pra ela esperar que eu passasse, afinal, na calçada o pedestre tem preferência. Passei. E a motorista, já na rua, abaixou o vidro do carro e gritou na minha direção: “gorda, feia e mal educada”. Foi desagradável. Mulher quando quer ofender a outra parte logo para o “gorda”. E por mais que a gente seja bem resolvida, dá uma ofendidinha. “Mas essa calça é 40, eu corro quase todo dia, treino no parque”, pensei. Acho melhor desencanar. Das 3 desqualificações, aceito a mal educada de vez em quando.
Cheguei à reunião meio atordoada, mas deu tudo certo. Saí de lá e fui para a Caixa Econômica Federal resolver uma pendência. Já na agência bancária, não conseguia usar o armário para guardar a mochila. Tinha que colocar uma moeda de R$ 1, mas não estava escrito isso em lugar nenhum e o design do armário não deixava isto claro. Pedi ajuda para o guarda, que trocou minha nota de R$ 2 por duas moedas de R$ 1. Entrei no banco, esperei a minha vez e, quando fui chamada, ouvi que não poderia fazer o que precisava ali porque a agência era nova. Engoli seco e fui pra outra agência. Nessa, o armário não precisava de moeda. E consegui resolver meu problema. Dali, fui até o shopping comer alguma coisa e fazer uma compra. De novo, fui a pé. No caminho, estava distraída olhando uma árvore quando senti algo encostando na minha cabeça. Foi forte e rápido. Era um pássaro me bicando. Tomei um susto gigantesco. Segundos depois, a mesma coisa. Aí eu gritei e andei mais rápido. Deduzi que estava passando perto de algum ninho e aquele pássaro me viu como uma ameaça. Entrei no shopping, comprei o que precisava e fui comer. Escolhi um restaurante que vende hambúrguer, mas o atendente me disse que não tinha mais hambúrguer. Olhei aquelas mesas lotadas, aqueles corredores cheios de gente e nenhuma opção apetitosa pra comer. Fui embora. Quando entrei em casa, olhei no espelho. Pelo menos meus cabelos não estavam mais brancos.

 

 

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