Cabelo Cacheado
Blog

Cabelo Cacheado

Rolou ontem, na minha timeline, o compartilhamento de um vídeo do programa Encontro, da Fátima Bernardes, em que uma garota falava sobre como foi o processo de transição do cabelo liso para o cacheado. A garota em questão é irmã de uma colega de faculdade e, por isso, esse vídeo acabou aparecendo pra mim. Uma outra colega compartilhou contando que ela mesma viveu em guerra com o cabelo na adolescência…

Depois de ver o vídeo e ler o post da colega, fiquei pensando na minha relação com o meu cabelo. Em primeiro lugar, tenho que dizer que amo os meus cachos. Mas durante uns sete anos, vivi à base de escova e chapinha. Ainda mais que já usava o cabelo curto e o discurso que mais se ouve é que curto e cacheado não combinam porque o cabelo fica armado. Então, era escova dia sim, dia não. Tive namorados e amigas que não sabiam que eu tinha os cabelos enrolados. Até meu pai esqueceu disso por um tempo… Quando estava no terceiro ano da faculdade, comecei a fazer estágio e isso mudou a minha rotina. Não tinha mais o tempo livre pra cuidar de alisar as madeixas. Se quisesse manter o ritual de alisar o cabelo seria preciso acordar cinco da manhã dia sim, dia não. E eu não estava disposta a isso.

Mais ou menos na  mesma época, uma amiga de cabelos enrolados e compridos, cortou curtíssimo (tipo joãozinho, como se diz). Lembro que ela ficou super chateada depois, estranhou, não gostou, se trancou em casa. Mas, aos poucos, começou a curtir o cabelo curto e enrolado. E eu, também. Precisando de mais praticidade na minha vida, criei coragem e comecei a usar o cabelo cacheado e curto. Não vou dizer que foi fácil. Eu me olhava no espelho e não gostava muito. A vantagem que eu tive é que nunca coloquei química para alisar o cabelo. Não tive coragem. Então, minha transição foi bem mais tranquila do que a de meninas que alisam quimicamente o cabelo. Na verdade, foi uma questão de acertar o corte, os produtos e o jeito de arrumar a juba.

Hoje, não consigo me ver com o cabelo liso. É como se não fosse eu mesma.  Não posso dizer que sofri preconceito ou bullying por causa do meu cabelo. Só me lembro de um ex-chefe que, uma vez, me perguntou porque eu não alisava. Eu disse que era porque eu gostava do cabelo desse jeito. Posso dizer que, até hoje, escutei mais perguntas por causa do cabelo curto do que enrolado.

O que rola, às vezes, é uma sensação de estranhamento dependendo do lugar onde estou. É como se o cabelo cacheado me deixasse tão diferente a ponto de ser estranha até pra mim mesma. Talvez isso não faça o menor sentido, mas é comum ter essa impressão. Por outro lado, adoro me sentir autêntica com o meu cabelo – seja no dia a dia ou em uma festa – e não precisar correr da chuva. Sem contar que, longe da escova, eu não sou mais escrava do cabelo.

Se eu puder dar uma dica pra quem sofre ou não aceita o cabelo cacheado, é que vale a pena descobrir o melhor corte (e, acreditem, não são todos os profissionais que sabem cortar esse tipo de cabelo) e se jogar nos cachos. É libertador!

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *