Quando uma execução acontece bem perto de você
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Quando uma execução acontece bem perto de você

Estava navegando no Instagram ontem à noite quando vi, nos perfis que falam sobre o bairro, o post sobre um tiroteio em frente ao hotel Blue Tree. Pela quantidade de carros de polícia na foto, parecia mesmo algo grave.

Hoje pela manhã, antes de ir à padaria, soube que o tiroteio foi, na verdade, uma execução de um integrante do PCC. Assino uma newsletter de informação, o Meio, na qual leio todas as manhãs sobre Lava Jato, Reforma da Previdência, tecnologia, negociações políticas, violência no Rio de Janeiro etc. E, hoje, entre essas notícias do mundão, estava uma que falava de algo que havia acontecido no meu bairro, pertinho de mim, em frete ao parque onde vou todos os dias. Sensação estranha, bem estranha.

Estava tomando café da manhã e pensando em como a gente fica quando essas “coisas ruins” e de repercussão nacional acontecem perto da gente. A primeira impressão é de que a guerra bateu na porta, cruzou nosso caminho e estamos tão encurralados quanto aquelas pessoas se escondendo dos tiros no meio da rua, no Rio de Janeiro.

Quando sabemos de notícias como essa acontecendo em outra cidade, ficamos com medo, pensamos nas pessoas que enfrentam isso de perto, mas logo passa e a vida segue. Quando isso chega tão perto a ponto de o carro dos criminosos estar estacionado no shopping onde você tinha ido naquela tarde, tudo fica mais real real e palpável. Você conhece aquele lugar, já passou por aquela rua (a pé, de carro, de ônibus), seus amigos tiveram que desviar do caminho porque a rua estava interditada. É impossível não pensar: e se eu estivesse passando por ali naquela hora? E se tivesse sido na rua da minha casa? E se alguém que eu conheço tivesse entre as vítimas?

Fica uma sensação de que a criminalidade mais pesada está chegando perto, dominando o bairro. E é uma sensação ruim. Mas preciso dizer uma coisa: sinto mais medo de crimes do dia a dia – como um assalto a banco, roubos em lojas e na rua, furto de celular e carteira -, do que de crimes passionais ou execução do crime organizado.

Pode parecer loucura esse raciocínio – afinal os caras estavam armados com fuzil e muita gente poderia ter sofrido as consequências -, mas é uma reflexão que me pegou logo pela manhã, lendo as notícias, os comentários, ouvindo as pessoas do bairro falar sobre isso. Por ser um crime mais pesado, nos deixa com mais sensação de insegurança. Mas não nego que fico muito mais tensa e apreensiva quando há um roubo de casa na minha rua.

E vocês, como se sentem?

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