O dente quebrado e o adaptar-se ao que a vida oferece
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O dente quebrado e o adaptar-se ao que a vida oferece

Quebrei um dente pela terceira vez. O mesmo dente. Quer dizer, quebrei, na verdade, a restauração. Tenho bruxismo, uso aquela placa pra dormir, mas mesmo assim o dente se foi na primeira mordida em um amendoim japonês. Era sexta-feira e eu fiquei bem chateada. O local ficou sensível e beber água ou escovar os dentes se tornaram tarefas bem chatinhas de fazer durante uma semana, que foi o tempo que levou para eu ir ao dentista consertar o estrago.

No final de semana que se seguiu à pequena tragédia, estava bem incomodada com aquele dente quebrado. Para evitar o contato dos líquidos com o lugar, tentei beber água de canudinho, ou fazer um malabarismo com a língua pra jogar a bebida pro outro lado. Funcionou mais ou menos, mas era bem chato, assim como ter que pensar, o tempo todo, em mastigar apenas com o lado direito. Naquele sábado fui a uma festa e nunca tive tanta vontade de beber cerveja na vida. Sabe aquela história de que a gente quer fazer as coisas justamente quando não pode? Pois é… Bebi, é verdade, mas em goles pequenos, fazendo o tal malabarismo para evitar que ela, a cerveja, encontrasse o dente quebrado.

Ao longo da semana que se seguiu ao episódio, acabei me acostumando com aquela situação. Parece até que a sensibilidade do dente diminuiu, mas eu acho que, na verdade, o fato de eu ter me acostumado fez com que eu não me preocupasse ou pensasse muito naquilo. O ser humano é, realmente, muito adaptável.

Depois que fiz a restauração, fiquei pensando justamente nessa capacidade de se acostumar que temos. E rápido. Acho que até por uma questão de sobrevivência. Se eu passasse a semana toda reclamando do dente, seria um inferno. O engraçado é que mesmo com o dente consertado, fiquei um tempo, talvez um dia, mastigando só de um lado e tentando driblar os líquidos que eu ingeria. Até que peguei um copo de cerveja e bebi com a boca cheia, com gosto, com tesão mesmo, sabe?

Daí fiquei pensando que a gente costuma agir dessa forma com a vida: nos acostumamos com uma situação desagradável, vivemos de um jeito desconfortável e tudo bem, a gente se adapta. E, aqui, tenho que dizer que muitas vezes isso é inevitável, que precisamos mesmo nos adaptar e aceitar a mudança. Porém, o que podemos fazer é começar a aproveitar mais a boca sem dente quebrado pra tomar cerveja com tesão antes que ele quebre (e também depois que ele estiver consertado).

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