Troquei a bucha sintética pela vegetal
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Troquei a bucha sintética pela vegetal

Toda vez que vai lavar louça em casa, meu marido pega aquela bucha tradicional, que tem um lado bem áspero e outro macio, e diz :“Não pode usar esse lado áspero na louça. É feita com o mesmo material usado pra limpar casco de navio”. Mas eu sempre uso. O atrito da parte áspera com a louça me dá a sensação de limpeza.

De verdade, nunca parei pra pensar que essa esponja é feita com derivados de petróleo, componentes químicos e sintéticos, e pode levar 150 anos para se decompor. Até existe a possibilidade de reciclagem, mas é um processo complexo e demorado. E por ser um produto muito comum, de uso diário, representa uma quantidade considerável de lixo no mundo: são 600 milhões de esponjas por ano, no Brasil, que vão para aterros sanitários.

Como venho ouvindo muitas histórias de sustentabilidade, lendo e pensando sobre isso, resolvi experimentar lavar a louça com bucha vegetal. Comprei uma bucha na feira, cortei e coloquei na pia da cozinha. Surpreendentemente – pra mim, acostumada com a esponja sintética -, funciona muito bem. No começo estranhei a textura, mas com alguns minutos de uso já estava achando normal. E a esponja limpa mesmo a louça e não risca nada, nem o fogão. Virou paixonite. Quando termino de usar, lavo bem e coloco pendurada pra secar.

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Nunca fui muito encanada com a proliferação de bactérias na esponja (talvez isso até seja um erro meu). Quando ela começa a ficar feia, esquisita, jogo fora. Com a vegetal, acho que vou fazer o mesmo. Mas li que ela pode ficar até dois meses em uso se for bem cuidada. Uma das recomendações da Positiv.A, empresa de produtos de limpeza sustentáveis, é ferver a bucha vegetal por cinco minutos uma vez por semana para matar as bactérias. Vou experimentar.

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Essa bucha vegetal que usamos pra lavar louça ou tomar banho é uma planta de origem asiática. O nome científico é Luffa acutangula. Descobri há pouco tempo que é comestível quando está verde e ainda não é fibrosa (é nessa hora que ela vira a bucha de limpeza), consumida como legume.

bucha verde, comestível, e bucha madura, usada na limpeza. Foto: Neide Rigo/Come-se

Por ser um produto natural, é totalmente biodegradável e pode ser colocada na composteira seca (não na de minhocas) depois de usada. Acho que vale lavá-la bem antes pra retirar o máximo de química do detergente ou sabão que possa ter ficado. Eu vou experimentar enterrá-la na terra do quintal mesmo, para que se decomponha e vire adubo.

Tenho tentando fazer mudanças sustentáveis no meu dia a dia, mas sem muitas neuras, começando devagar. Não é fácil mudar hábitos e criar novos comportamentos, por isso acredito muito que essas mudanças vão acontecendo aos poucos. Mas, dizem, quem começa não consegue voltar atrás. Veremos!

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