Logística para pessoas no metrô
Blog

Logística para pessoas no metrô

Só queria mesmo dividir as experiências que tive com o metrô de São Paulo nas últimas semanas e me fizeram pensar se seria possível uma engenharia de fluxo de pessoas um pouco melhor. Em uma segunda-feira, às 18h30, achei que seria pisoteada na Barra Funda. Não na plataforma, mas já saindo da estação. Quando passei a catraca para sair, caí no meio da muvuca e não conseguia sair do lugar. Atrás de mim, um senhorzinho ia empurrando e dizendo “só mais um passinho”. Na minha frente, uma moça olhava pra trás e dizia “não precisa empurrar”. Entre os dois, eu fazia cara de paisagem com um pouco de desespero. Quando uma mulher em algum ponto que não consegui identificar disse “cuidado que tem criança aqui”, a movimentação das pessoas se acelerou, o senhorzinho empurrou com mais força e eu quase me desesperei. Pensava que, se houvesse um tumulto, estaríamos todos lascados.

O motivo da confusão não sei exatamente qual foi. Sei que, naquele dia, os trens da linha verde ficaram parados por um bom tempo por falta de energia. Mas, como dentro da estação não estava rolando confusão, achei aquilo um pouco esquisito. E o que aconteceu ali na Barra Funda foi o encontrão de quem chegava para pegar o metrô e quem queria sair. Sem um direcionamento de fluxo, as pessoas se batiam no caminho e, como dizia Nelson Rodrigues “A multidão não só é desumana como desumaniza”.

Na outra segunda-feira, a situação na mesma Barra Funda, no mesmo horário, também estava ruim. Menos do que na semana anterior, mas ainda tinha muita gente se encontrando. Só posso achar que é o fim de ano que mais parece fim de mundo.

*****

Nesta semana, peguei um tumulto parecido com esse para entrar na estação Tatuapé às 9 horas. A fila pra passar a catraca estava enorme e quem queria sair não tinha muita alternativa a não ser pedir licença (ou não) e transitar entre a fila. E quando uma pessoa faz isso, todo mundo que está atrás vai no vácuo e quem está na fila não consegue sair do lugar sem ser um pouco mal educado e fechar o transeunte em algum momento. É meus caros, pedestres também perdem a paciência.

****

Na estação República da Linha Amarela, quem passava pelo bloqueio (que não tem catraca) para acessar a plataforma tinha que pedir licença para quem estava na fila pra embarcar. Sim, a educação dos usuários da linha amarela, que fazem duas filas nas extremidades na porta para deixar o meio livre para o desembarque, gera filas enormes quando há muita gente e o trânsito das pessoas que querem ir pra outro lado da plataforma fica bem complicado. Aqui, o problema me parece uma sinuca de bico, porque é ótimo esse esquema do meio livre para quem quer sair do trem, mas vira um confusão a vida de quem quer embarcar.

****

Na estação República da Linha Vermelha, o metrô abre as portas de um lado para quem quer desembarcar e, alguns segundo depois, abre o outro lado para o embarque. Mas a maioria das pessoas opta por desembarcar pela porta de embarque e, claro, transforma uma logística que era para ser eficiente em uma zona sem fim.

****

E tem ainda as escadas rolantes. Essa história de deixar a esquerda livre pra quem quer subir andando atrapalha tudo porque forma-se uma fila gigantesca na direita e em estações como a República, essa fila atrapalha o fluxo de pessoas porque gera acúmulo de gente na frente da escada.

****

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *