Ressaquinha de fim de ano
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Ressaquinha de fim de ano

Não sou fã das festas de fim de ano. Não foi sempre assim, mas tem sido nos últimos anos. E não fiz uma grande investigação interna para entender porque o Natal e o Ano Novo deixaram de ser datas empolgantes. Acho que tem a ver com o fato de morar longe da família, precisar pegar estrada na época mais cheia do ano, pela minha intolerância ao calor e por achar exagerado o clima de “fim do mundo” que se instada no “fim do ano”.

O fato de não estar mais em um emprego formal, mas empreendendo, frilando e trabalhando de casa também influencia nessa percepção. Porque no meu último emprego essa era uma época de férias coletivas e isso, claro, impactava o meu fim de ano.

Os 39 anos de idade e um longo processo de autoconhecimento que venho empreendendo a mim mesmo, de forma consciente, há alguns anos, também ajudam, eu acho, nessa relação mais distante com as festas.

Neste ano eu tentei ao máximo não entrar no redemoinho da euforia, das compras e do estresse e me manter no equilíbrio. Não consegui. Ou quase consegui. Alguns compromissos de Dezembro, as compras de presentes e o calorão me fizeram perder um pouco o ritmo da vida que vinha levando. Então, faltei aos treinos de terça e quinta, quase não saí para caminhar no parque, dei o bolo na Antiginástica, não almocei a comida saudável que vinha fazendo, gastei um pouco mais de dinheiro do que gostaria.

O natal foi tranquilo, sem intercorrências, em família. Mas depois ainda veio uma ressaquinha, como se eu tivesse nadado, nadado e morrido na praia. Aquela sensação esquisita de que compramos, comemos, bebemos e, agora, voltamos pra mesma vida que está longe de ser ruim, mas que a gente sempre pensa que pode ser melhor, ainda mais nessa época, quando se fala tanto em esperança, renovação, festa, mudança, como se a chegada do ponteiro à 0h do dia 1º de janeiro fosse capaz de fazer mágica. E não é. Depende da gente e não do relógio. Pensar assim tira um pouco da graça da festa de Ano Novo, mas traz um pouco menos de frustração.

Neste restinho de dezembro não fiz listas de desejos, não coloquei metas, porque aprendi que essas coisas precisam ser feitas diariamente. Cada dia há uma meta, um desejo, uma vontade. Até arrumei algumas coisas em casa porque é importante deixar a energia circular, mas o meu compromisso é fazer o que precisa ser feito quando precisa ser feito. Claro que há projetos para tirar do papel, mas eles não precisam esperar o dia 1º de janeiro. Só precisam começar, mesmo que seja hoje.

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