365 meditações diárias
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365 meditações diárias

No final de 2017, comprei o livro “O Livro da Vida”, de Krishnamurti. Aquele foi um ano difícil, de perdas, medo e duras experiências. Foi o ano em que eu fiz um projeto pessoal, o “Desafio 30 dias meditando”, para tentar colocar a meditação na minha rotina. Fiz os 30 dias, aprendi um tanto sobre a minha dificuldade de incorporar esse hábito na rotina e segui tentando, tentando, começando de novo. Até hoje a meditação ocupa esse espaço de tentativa na minha vida.

Quando vi esse livro, achei interessante a proposta e os temas que ele aborda. Krishnamurti foi um filósofo, escritor e educador indiano que nasceu em 1895 e morreu em 1986. Ele não era ligado a nenhuma seita e religião, o que já me atrai muito mais do que gurus polêmicos e com histórias vergonhosas por trás, como Osho. Ele era considerado pelas pessoas um guia espiritual, embora rejeitasse essa denominação. Fundou escolas e deu palestras sobre “coisas da vida” pelo mundo todo.

Não sou nada conhecedora da obra de Krishnamurti, mas notei que ele tem um pensamento muito alinhado com a filosofia da atenção plena, da verdade, da não reatividade, do conhecimento, da escuta, da conversa.
Daí resolvi comprar o livro e começar a lê-lo no dia 1º de janeiro de 2018, já que cada texto é para ser lido em um dia do ano. São textos curtos, de uma página, mas ainda assim eu parei em algum momento antes do meio do ano e não voltei mais à leitura.

Assim como a meditação, não consegui incorporar esse hábito, nem mesmo com o livro na minha mesa de cabeceira. É difícil explicar o por que isso acontece. Posso listar aqui dezenas de desculpas, mas são todas furadas. Eu poderia ter persistido nessa leitura, mas por ansiedade, dispersão, falta de foco, preguiça, não o fiz. E tudo bem. Uma das coisas que tenho tentado praticar é não ficar me culpando o tempo todo por não ter feito algo. Não fiz e pronto.

Eis que chegou 2019 e eu resolvi recolocar o livro da vida na minha cabeceira. Estamos apenas no dia 2 de janeiro, então é fácil dizer que estou cumprindo a meta de ler uma mensagem por dia. Se vou chegar ao fim, não sei. Mas essa é a ideia. E acho que há potencial em mim pra conseguir. Até porque o livro tem uma dinâmica tão legal que dá vontade de ler com atenção e ver o que isso pode me ensinar.

“O Livro da Vida” apresenta passagens sobre um tema novo para cada semana do ano. E cada tópico é desenvolvido durante sete dias. Na primeira semana de janeiro, o tema é “escutando”; na segunda, “aprendendo”; na terceira; “autoridade”. E assim segue o livro, até a última semana do ano, que tem como tema “meditação”.

Essa sequência foi pensada para seguir uma ordem parecida com a maneira como Krishnamurti dava suas palestras. Ele, em geral, iniciava com a escuta e o relacionamento entre o orador e a audiência, e terminava com temas que emergem naturalmente quando a vida está em ordem e uma maior profundidade começa a surgir na consciência.
Acho incrível olhar para esse livro como uma ferramenta de reflexões que vão ganhando corpo e profundidade ao longo do tempo. E estou com vontade de experimentar essa jornada, como uma meditação.

Talvez eu não consiga, de novo, ou faça como a meditação e fique sempre tentando. Mas, como se diz, é preciso começar, dar o primeiro passo, experimentar. Mesmo que seja algo que já tentamos e não concluímos.

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