Dia 3: Por que eu aceitei o trampo de transcrever uma entrevista
Blog

Dia 3: Por que eu aceitei o trampo de transcrever uma entrevista

Na semana passada, me perguntaram se eu topava transcrever uma entrevista. Ouvir e passar para o papel. Aceitei o job, mas fiquei um pouco receosa antes de dizer sim. Por quê? Porque na minha cabeça esse poderia ser considerado um trabalho menor para uma jornalista com 15 anos de carreira. Pensando um pouco, achei que era bobagem pensar assim. A relação custo benefício era boa e eu achava que poderia aprender ouvindo a entrevista que outra pessoa fez.

Muitas vezes, o trabalho de jornalista é solitário. A gente vai entrevistar as pessoas, conversa com um monte de gente e senta para escrever. E é nesse momento da escrita que tudo aquilo que você ouviu se junta para virar um texto. Quem lê o resultado final não tem como saber a forma como aquilo foi construído. Por isso eu achei que seria interessante transcrever a entrevista de outra pessoa.

É, sim, um trabalho chato. Uma entrevista de 1 hora leva no mínimo 2 horas para ser transcrita. No caso, levei até mais do que isso porque precisei ouvir alguns trechos mais de uma vez. Além disso, fiz uma revisão bem mais criteriosa do que faço quando transcrevo as minhas entrevistas. Se estou fazendo esse trabalho pra mim, não me preocupo com erros de ortografia, letras trocadas etc. Afinal, sou eu que vou transformar aquilo em texto. Na transcrição das minhas entrevistas, também já vou fazendo edição, deixando de fora aqueles trechos repetidos e que eu sei que não vou usar na matéria. Tudo pra ganhar tempo, claro.

No caso deste trabalho, fui bem mais cuidadosa na finalização. E, sim, acho que valeu a pena fazer esse job porque me fez ter contato com um bastidor do jornalismo, com a forma como o repórter apura sua matéria, entrevista seu personagem. E quando a gente está frente a frente com alguém em busca de uma história existem várias formas de abordagem e, certamente, cada uma delas têm um resultado diferente.

Posso até ter 15 anos de profissão, mas acho que sempre há o que aprender, mesmo com o mais prosaico dos trabalhos. Faria de novo com certeza!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *