Esse história de ser “multitask” e a atenção plena
Blog

Esse história de ser “multitask” e a atenção plena

Já tem um tempo que leio e estudo sobre meditação, foco, atenção plena. É aquela história de estar sempre no presente, com atenção total ao que estamos fazendo no momento. Eu estudo e tento por em prática mas, vou dizer, não é fácil. Exige muita atenção… rsrsrs

É bem desafiador fazer a própria rotina. Por mais que a flexibilidade seja uma bênção, ela exige ainda mais disciplina. Porque é tão fácil se perder tentando ser multitarefa e fazer tudo que se quer ou tudo que achamos ser necessário.

Como trabalho de casa, preciso entender quando estou trabalhando, quando estou descansando e quando estou sendo dona de casa. E nem sempre essa fronteira fica clara porque, em casa, existe uma tentação de parar um pouquinho para lavar a xícara que está na pia, estender a roupa, trocar a areia do gato, fazer um café, tirar um cochilo, arrumar a cama, assistir a um jornal na televisão e por aí vai. Isso sem contar as distrações que o próprio computador, minha ferramenta de trabalho, traz: twitter, e-mail, site de notícias, Whatsapp web, Spotify etc.

Toda essa liberdade que o mundo conectado e que as rotinas fora de escritórios trazem parece deixar tudo mais leve e fluido. Mas  não é bem assim. Na verdade,  tudo pode ficar mais confuso.

Quando somos donos da agenda, fica fácil nos sentirmos meio super-heróis, capazes de fazer tudo já que não há um cartão de ponto na nossa vida.

Normalmente, tenho uma rotina de acordar, ir pro parque, tomar café da manhã, trocar areia, água e comida dos gatos, tomar banho, me trocar e começar a trabalhar. Quando faço isso, as coisas fluem melhor. Mas não é sempre que ajo assim. Na maioria dos dias, tomada pela ansiedade, deixo de arrumar a cama, por exemplo, para ganhar tempo. Daí, no meio da tarde, quando entro no quarto e vejo a cama desarrumada fico com vontade de arrumar. O mesmo acontece com a louça, com o cesto de roupa suja, a manta do sofá que não foi esticada, o pó de café que acabou.  Aí a vida vira uma bola de neve e quando termina o dia não fiz nem uma coisa (os serviços domésticos, por exemplo), nem outra (o trabalho).

E fico me cobrando ser multitarefa, aproveitar melhor o tempo para ser mais produtiva em casa, no trabalho, nas leituras, ufa!. Só que isso me faz atropelar as coisas. Já percebi, e constatei, que quando faço uma coisa de cada vez, até o fim, existe uma sensação boa de dever cumprido. Por outro lado, muitas vezes fica uma sensação ruim de coisas que deixei de fazer – como arrumar a cama ou responder a um e-mail. E aí, principalmente quando essa sensação está relacionada a questões profissionais, vêm a tentação de ficar trabalhando até mais tarde para dar conta de tudo. Ou então lá estou eu limpando a geladeira às onze da noite.

O fato é que as vezes em que fui mais produtiva foi quando consegui realizar tarefas até o fim, com muito foco em cada uma delas, ou seja, sem ficar checando o email de cinco em cinco minutos só porque estou na frente do computador, ou levantando da cadeira o tempo todo pra estender a roupa, molhar o vaso etc. O mesmo vale para tarefas domésticas. Se estou lavando louça, estou lavando louça e preciso fazer isso até a última colherzinha de chá jogada na pia. Se eu eu paro pra estender a roupa no varal, já perco o foco e quando volto acabo deixando a colherzinha, que se torna um gatilho para a pia virar um monte de louça de novo.

Dividir o meu dia em tarefas e aceitar que não vai dar pra fazer tudo o que eu queria tem sido um grande desafio. Porque quando somos donos da agenda, fica fácil nos sentirmos meio super-heróis, capazes de fazer tudo já que não há um cartão de ponto na nossa vida. Só que nessa hora, o tudo pode virar nada muito rapidamente, justamente porque, como diz o ditado: “é melhor um pássaro na mão do que dois voando”. E haja treino de foco e atenção pra dar conta de não ser aquela pessoa que quer dar conta de tudo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *