Um capítulo de um livro sobre pão e a produção de conteúdo na internet
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Um capítulo de um livro sobre pão e a produção de conteúdo na internet

Tenho pensado muito sobre a produção de conteúdo na internet. E não só na quarentena. Acho que nunca tivemos tanta gente escrevendo, filmando, gravando e compartilhando. Aí, claro, é preciso separar o joio do trigo .

Sempre ouço as pessoas dizendo que o texto tem que ser curto, que ninguém lê e tal… Concordo em parte. Acho que pouca gente tem paciência de ler. E mesmo de ver. Adolescentes, por exemplo, costumam acelerar os vídeos pra passar mais rápido.

E aí, brincando de fazer pão em casa com receitas do livro Pão Nosso, do Luiz Américo Camargo, me deparei com o texto que abre o capítulo 4, com receitas de pães que demoram 6 horas ou mais para ficarem prontos. O título é “LEIA ATÉ o FIM, POR FAVOR”.

Achei o texto muito pertinente para esse momento de avalanche de informação. Vou compartilhar alguns trechos. Mas já adianto que a melhor parte está no final.

Ele fala que as pessoas não leem até o final por pressa. Sabe quando você posta uma foto, escreve uma legenda com informações sobre horário, dia e preço e, em minutos, alguém comenta: quanto é? É isso.

“Significa que as pessoas não sabem mais ler ou, ao menos, não compreendem mais enunciados simples? Não necessariamente. Talvez elas apenas não consigam captar o conteúdo, de tão afoitas. A apreensão linear da linguagem escrita parece lenta, caudalosa. Tudo o que se busca é um símbolo de comunicação automático, instantâneo, como uma placa de trânsito: pare, não estacione, cuidado com a escola…”

E ele segue falando sobre a escuta e a visão e chega no ponto que acho mais interessante: a experiência!

“Quando estou frente a frente com um prato de comida, um pão, o que for, tenho que apreciá-lo com ao menos uma parte dos meus sentidos (visão e olfato, normalmente). Preciso que, primeiro, a experiência esteja comigo, seja minha. Porque desejo gravá-la em minha memória. E só depois captá-la com meu smartphone. E compartilhá-la.

“A nova ordem das coisas parece ser: fotografar, publicar, prestar atenção, apreciar. Você é capaz de subverter essa sequência”.

É isso. A gente precisa produzir conteúdo. É uma oportunidade incrível ter tanta informação e tanta experiência à disposição. Mas, antes de compartilhar, é preciso entender, saber, conhecer, experienciar.

E vivemos um momento de uma experiência única, que se transforma a cada dia. Minha sugestão é prestarmos mais atenção nessa experiência antes de compartilhar qualquer coisa. E também ficarmos atento aos detalhes na hora de consumir o conteúdo do outro. É igual comer: não vale a pena engolir sem mastigar!

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